domingo, 31 de janeiro de 2010

Sentimento Patriótico

É tempo de fazer o rescaldo da greve dos enfermeiros e após ver alguns comentários lembrei-me da bela fábula dos caranguejos dentro do balde, que quando um tentava escapar os outros puxavam no para baixo. O caranguejo é na sua essencia um bixo que não se gaba muito da sua inteligência, até porque de facto normalmente tenta por mérito seu não ter nenhuma. É portanto um animal que tem as suas pequenas limitações, anda para trás rumo ao passado e cada vez mais parece ter duas pernas e falar a lingua de Camões.
Desde criticar o direito à greve até criticar o próprio propósito passando pela comparação como justificação para tudo se manter é assim que o portuguejo se vai comportando. De facto o espirito saudosista aliado da miserabilidade e falta de auto-confiança e sentimento de inferioridade faz com que a maior parte das vezes as criticas sejam auto e hetero destrutivas. "oquué? entonhe esses maganos querenhe gánhar maize? eu trabalho 25h por dia, durmo nem 4h e tenho meia hora pra comer as 3 refeições do dia duma só vez e só ganho o salário minimo! roubar lá fora! não fazem nada! Deviam ter nascido à uns anos atrás pra ver o qé duro!". A questão que se impõe não é a de tentar medir forças pra ver quem trabalha mais recebendo menos, é porque razão são todos mal pagos. Em vez de tentar reeinvindicar por uma igualdade nivelada por cima, o que o portuguejo quer é uma igualdade mais miseravel possivel para o que lhe está acima. Pra que este sinta o que o portuguejo passa, para que o portuguejo se sinta feliz por ter alguem ao seu nível e não acima dele. É indiscutivelmente mais fácil trabalhar para que o outro caia, do que para que os dois subam. O segundo exige cooperação e o portuguejo não gosta muito disso, gosta de fazer as coisas sozinho, e por isso quando os outros se saem melhor o sentimento de frustração impele-o a traze-lo pra baixo, pro fundo do balde. E enquanto outros aprenderam o poder do mutuo apoio a ambição do portuguejo restringe-se a esse nivel, ao do fundo do balde, sem ver a luz e continuando a brincar aos castelos de areia.

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