domingo, 25 de abril de 2010

A rebelde de 36 anos

Não fazia parte da corja que viveu o 25 de Abril de perto, muito longe disso, quanto muito pertenço à corja, à dita malta, que sente na pele ao fim de 36 anos de democracia, o resultado de uma revolução que ficou a meio, que foi disvirtuada, que não o chegou a ser.

A verdade é que a ruptura, não cortou o ciclo que há muito governa as nossas vidas e nos guia o pensamento. A teia invisivel continua lá. A inércia continua presente. Portugal tem muitas potencialidades, mas parece que a unica que aproveita é a inutilidade e a corrupção.

Isto não é um texto de moralista nem moralizador, é um desabafo. É uma constatação da realidade do meu ponto de vista. Não vou "Medina-carreirar" e dar uma de profeta do apocalipse, contudo há que analisar os acontecimentos, e o saldo é positivo apesar de tudo.
Não louvo Salazar mas também não o crucifico, para isso já temos gente suficiente que quotidianamente crucificam em hasta publica os outros. Falta a Portugal muita ética, falta a Portugal uma libertação do espírito esclavagista que muitas vezes ainda vigora. Falta rigor a nós próprios e falta libertar-nos do marasmo que contagia. Já lá alguem dizia "há um povo na ibéria que não se governa nem se deixa governar". Mas não é por essa razão que nos devemos deixar ir, e deixar reinar o espirito saudosista, devemos claro recordar com orgulho e respeito para quem contribuiu para a revolução de 25 de Abril e lutou durante longos anos aquando da ditadura e fazer com que essa luta tenha resultados práticos e não fique apenas como mais um capitulo por acabar devido à incompetência e ao chico-espertismo que reina, é preciso que lá fora nos respeitem e não olhem pra nós como um apendice.
Chega de palhaçada é hora da democracia, chega de discutirem em tabernas e dizer que as tias dos outros são umas doidas na cama, é hora de criar um local próprio para o debate político. E se não for pedir muito, um local em que as pessoas sejam julgadas pelos seus actos, em vez deste show televisivo do juiz decide em que quem tem o voto final é o dinheiro.

Enquanto não existir esta mudança haverá sempre um cravo, mas pregado na nossa liberdade.

1 comentário:

B.V disse...

Bem gostei de ler este post não pelo o facto de criticar a nossa democracia mas por ter coragem de dizeres que a revolução ficou a meio.Há muita gente por este país fora e falo principalmente pelo os "comunas" (pessoas que pelo o qual sou contra em termos ideologicos mas que respeito) que tem orgulho na revolução que foi conduzida pelo os militares e conquistada por eles mas que foi desvirtuada pelos os partidos políticos!(aqui incluo todos sem excepção)
Liguei ontem a televisão e vejo o grande festival em que a "corja" politica(desculpem a expressão) deste país estava presente todos contentes e fiquei pasmado!Porque enquanto este festejavam havia muita gente que passa por dificuldades, coisa que a democracia inicialmente melhorou mas que há 20 anos sensivelmente (salvo erro e corrijam se assim se for)não tem ajudado em nada!Digo vos só não houve um golpe militar outra vez em portugal por estarmos inseridos na U.E.
Acho que liberdade só a teremos quando houver justiça, segurança educação, respeito e amor pela patria enquanto isto não acontecer não somos um verdadeiro estado democrático de direito e livre.Só nos resta geraçao que passa este problemas levantar de novo o país que tanto amo!
A que mudar muita coisa e muito a mentalidade politica de todos os partidos, deixar de politicas de casualidade e temporarias e começarmos a pensar como queremos os país daqui a 30 anos....
Meus parabens por tocares na ferida !
VIVA PORTUGAL