quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Destination... My Way

image by alltelleringet (deviantART)



Acabadinho de sair de Paredes de Coura, ainda neste estado de demência perceptiva, apercebi-me que poderia ainda ter alguma cena de jeito para escrever. Não sei se escrevo para dar a minha opinião, se escrevo para que os outros saibam da minha opinião ou simplesmente para reciclar ideias, "tirá-las da cabeça", melhor dizendo, apenas leiam o post... hoje ele é só para mim, porque mais ninguém sabe o que ele significa... se calhar é melhor que assim seja!
Se calhar...
Nos dias em que estive a desfrutar da boa vida de um adulto emergente de férias em Coura, tive muitas revelações, tempo para reflectir, tive conteúdo para reflectir e apercebi-me, ou lembrei-me, não sei, que ainda tenho cenas a pensar, coisa que ainda não consigo bem situar num espectro que a descreveria tudo isto como algo positivo ou negativo. A sensação global das experiências e vivências desses simples 6/7 dias, fez-me questionar aspectos que nos definem qualitativamente como humanos e, com isso, senti um súbito desejo de "megalomanolizar" os meus mais recorrentes desejos de controlo, expandindo-os para além das acções. Tudo começou, ou continuou, com a história que, apesar de tudo, já posso contar com mais facilidade... ou menos dificuldade, ainda não sei, passou por outra uma história que gosto de recordar, mas não gostei de viver e acabou na consciência de que fazer parte de algo que me define como humano é mais uma realidade bipolar, ou melhor dizendo, é algo como uma faca de dois gumes e eu, como alguém que sobrevaloriza o controlo sobre a vida, obviamente não gosto da ideia! É que não basta uma pessoa ter que se preocupar com a incerteza das acções alheias, ainda tem que lidar com as suas proprias emoções e "perturbações" características. E o que fazer quando queremos ir para a esquerda conscientes de que, se não formos para a direita, pior nos vamos sentir? Quem me dera poder deixar de ser um típico Homem quando quisesse, ter uma espécie de interruptor que me permitisse desligar destas inutilidades... O problema é que deixar de ser humano é algo que não quero abdicar, porque fodasse... é mesmo bom poder sê-lo nas alturas certas! E é bom poder lembrar-me de que, o que quer que tenha acontecido nessas alturas, foi bom... Num destes dias que passaram, fugi à realidade e fui puxado para um lugar onde nada existia, apenas existia um vazio preenchido por paquidermes sobre tons de amarelo, recortados como peças puzzles, e aí senti como seria não ser humano ao ver a minha realidade separada por um eclaire a escapar-me pelos dedos... Naquele instante perdi tudo, só porque, durante aquele tempo que não consigo contabilizar, não tinha mais ninguém para poder dar sentido ao facto de ser humano... Nem as memórias faziam sentido, porque o bom e o mau nunca se tinha passado! Foi como se tudo que existe neste mundo não passasse de uma fantasia criada por mim na minha cabeça, talvez pelo facto de não querer existir sozinho... Os risos não soavam direito, pareciam querer gozar com o facto de estar sozinho e o pior é que eu estava genuinamente a acreditar que tudo era a verdade que tinha que aceitar... Felizmente trouxeram-me de volta, sussurrando a realidade aos meus ouvidos... Acordei apenas para dizer aquilo que mais me importava dizer, porque toda a gente merece poder olhar para a frente, para o lado e para trás, e sentir que pode ser, viver e estar como está, como esteve e como ainda poderá estar... Agora as leis universais das coisas não parecem tão insensatas... Já deste lado voltei a reforçar a minha afinidade pelo controlo, no entanto, ainda acho estranho o facto de me sentir indiferente face à possibilidade (agora mais evidente) de que tudo não passe da ilusão de que tenho controlo. Se calhar é por ser humano... não preciso de saber que tenho controlo, apenas tenho que sentir que o tenho! No final tudo não tinha sido mais do que uma espécie de sonho que me fez compreender o bom e mau que é ser quem sou, porque se não o fosse não teria nada que me conseguisse fazer preocupar ou sentir mal e não teria que pensar o quão fixe seria poder deixar de estar restringido pelas leis que me limitam, mas ao ser quem sou posso sentir as melhores coisas do mundo, ao ponto de nem me lembrar de preocupar com as piores, posso ter recordações que me fazem sentir realizado, posso poder sentir e compreender as coisas para mais tarde as escrever aqui...
...
Esta tendência divergente do conceito que refiri, para minha sorte, ou azar, está vivo dentro de outras histórias... Já não sinto a necessidade cega de fazer parte dela, atreveria-me a a evocar a indiferença até, mas a verdade é que me sinto mesmo bem não obstante, praticamente ao mesmo nível de antes, ao contar e a viver a história... É confuso... Neste momento, não quero voltar sentir saudades, mas, se estou indiferente, então o mais certo é que não sinta! O problema é que existe a possibilidade de querer voltar a ter saudades... A rotina foi quebrada, se calhar é melhor mantê-la assim... ...
Se calhar...
Toda esta viagem fez-me ver que não há melhor forma de estar como agora e, por essa razão, se calhar devo deixar de andar às voltas e seguir o meu caminho... Afinal de contas, aparentemente estou no final do precurso, já dizia o humano que acredita...
...o ópio das pessoas...
...
...faz-me pensar...
E o que seria de nós sem a razão?...
...quem me dera poder ter dito...

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