terça-feira, 15 de abril de 2014

F*** You, No One!


image by by Hellknight10 (deviantART)


Ao som de Simon e Garfunkel, vou tentando desfrutar da melancolia e pensando no quão odeio o silêncio frio... That bastard! Mas, neste momento, enquanto as harmonias me acalmam a alma, atingiu-me um breve pensamento face a este ódio que tenho a determinado silêncio... 

Quando a angústia da frustração se apodera de nós, sinto e vejo que temos quase sempre que apontar o dedo, seja aos outros, seja a nós! Toda essa raiva por aquilo que nos roubam ou a raiva para com aquilo que nos faz sofrer... ela tem que sair! Ficar cá dentro é demasiado doloroso, é demasiado solitário... E como já disse, noutros tempos, é horrível sentir que sofrermos sozinhos. Mas o que fazer quando essa raiva não pode ser canalizada para fora de nós porque, simplesmente, não há alvo? What if, nós quiséssemos apontar o dedo e não houvesse ninguém para se encontrar com a ponta do nosso dedo? Ainda agora procuro uma resposta para esta pergunta porque, de facto, eu sofro deste mal! Sim, na verdade sinto que não tenho inimigos e nunca os tive nos últimos anos! E porquê? Bem a resposta mais óbvia passa pelo facto de eu, simplesmente e constantemente, tentar compreender as pessoas. Não se enganem, até pode parecer uma cena fixe e tal, mas, quando o revés da moeda se impõe, torna-se uma maldição, uma faca de dois gumes. É simples, a questão é que eu vejo tudo na vida como um oceano feito de gotas de atos e de consequências! Se as gotas do Oceano são as nossas ações e respetivas consequências o Oceano somos nós, no presente, exatamente como nós pensamos e como nós sentimos as coisas neste momento. E o facto de sermos uma espécie de máquina que come informação e tenta cagar soluções adaptativas pode complicar muito as coisas, porque é difícil ser objetivo quando tudo o que está à nossa volta é apenas uma interpretação nossa, condicionada pelas ações e consequências (ou gotas) que falei acima. Pensem, um puto que é mal tratado e exposto a violência vai, ou não, ver mais facilmente que uma criança desenvolvimentalmente saudável, agressividade num gesto com uma intenção ambígua? Se é isso que esperamos da vida é isso que encontramos nela...  Para além disso, as pessoas teimam em centrar-se no momento! Naquele momento fazem-me mal, logo essa pessoa é um tone, um boi, filho da p***, etc., certo? E o que o fez agir assim fica onde? Fica para além do momento, não? Há sempre um passado para o agora!

Eu, por acaso, olho constantemente para aquilo que precede o momento! Não sei, porquê... Se calhar não sou mais do que outro control freak obcecado pela lógica das coisas, sou outro obcecado por dar sentido ao mundo, para poder compreendê-lo e lê-lo como um livro que já li vezes e vezes sem conta.  Mas é isso que acontece, é assim que eu sinto as coisas. Mas se pensar no que é que isso implica para mim e no real impacto que isso pode ter em geral, chego a um ponto muito importante que faz toda a diferença! Apesar de compreensão me ajudar a sentir competente na minha área, no que respeita à análise e consciencialização do "que raio se está passar", eu não consigo desligar a compreensão da empatia... E é bom! É bom poder ajudar as pessoas! É bom poder saber o que é que a pessoa pode precisar! É bom sentir que, por isso, podemos conseguir fazer alguma diferença. Mas e se sou a compreender e a sofrer com o problema *BAM!* abre-se logo aí essa janelinha para me tramarem, porque sofro e só eu é que, sozinho, lido com toda esta negatividade! Não dá para passá-la ao culpado, porque pobre coitado, teve uma vida f#§€§@, até percebo o que levou a fazer/ser assim! 

Por exemplo, condenamos bullys por voluntariamente ostracizar outras crianças, cujas vidas podem ficar irremediavelmente marcadas, mas porque é que ele é assim? E a vitima, se se virar ao agressor (estilo Zangief Kid) é o herói? Porquê? Bem uma coisa é certa, o bully também sofre em algum lado e em alguma instância! Assumindo que a genética não se mete ao barulho, agressividade vem da raiva e a raiva vem do sofrimento e consequente falha (ou impossibilidade) em lidar com isso! Se calhar o bully também é vítima de maus tratos físicos ou psicológicos e a impossibilidade de retaliar faz com que se armazene muita raiva, ou se calhar foi mimada e habituada a sentir que tem que haver alguém mais miserável que ela própria. Se isso acontece, fica sabotado, logo desde aí, todo o processo de compreensão empática!  Apesar disso, moral está lá sempre, porque é fácil julgar quem faz bem ou mal! É simples, se causas dor és mau, mas se causas dor como retaliação à dor que te fizeram sentir então já tudo se torna mais justificável! There's some twisted notions in there, porque não será issoo que o bully poderá estar a fazer? Quero dizer, a causar dor como retaliação pelo que sofre? Pobre coitado, só perdeu a noção de para onde dirigir a frustração de não poder controlar o facto de que vai voltar a sofrer,  não obstante o quanto descarregue essa frustração! (E pronto lá estou eu com o pobre coitado do agressor.. não tenho remédio.)

No fundo não se trata mais do que isto... Somos um saco de porrada para as consequências dos nossos atos e os dos outros. Todos nós somos produtos do que vivemos e sentimos, e tudo o que vivemos e sentimos é influenciado pelo produto que somos neste preciso momento. Isto para dizer que nós construímos a nossa perceção da realidade com a informação que nos rodeia e, por isso, basta às vezes um mau dia para plantar "Thistle and Weeds" como diriam os Mumford and Sons (note: se não conhecem ouçam o raio da música que ela é espetacular!). E deixem-me explicar-vos isto, nunca há uma relação simples como "o ato precede a consequência", pois a consequência também precede um ato. E, na consequência de termos um mau dia, não temos motivos suficientes para compreender a má ação que lhe sucedeu? Para mim temos e, sinceramente, fico muito orgulhoso disso ser a minha maneira de pensar. Mas odeio-a, ao mesmo tempo, quando sou eu a vítima que tem que reciclar o seu sofrimento causado pela vida triste dos outros. 

É justo? Não, mas foi assim que escolhi ser! E não posso culpar a vida por ela ser assim tão injusta, ao ponto de me deixar angustiado por sofrer sem partir tudo... Não sou uma criança ambivalente que não sabe reconhecer o que a vida já lhe deu de bom! Eu ainda estou a disfrutar da viagem e, apesar dos tabefes que me apetece distribuir por ambas as bochechas da vida, prefiro não culpa-la e tentar compreendê-la!



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