A faculdade "is a bitch", come-nos muito do tempo (mesmo que não seja por obrigações académicas, o próprio contexto proporciona uma menor disponibilidade para cenas tão rotineiras e quase banais como escrever num blog)... Mas porque não escrever algo?
O que vou postar hoje passa por uma reflexão sobre o conceito de altruísmo e as verdadeiras motivações que estão por detrás de uma acção altruísta...
Comecemos com uma citação de Comte, o pioneiro do conceito de altruísmo.
“The social point of view cannot tolerate the notion of rights, for such notion rests on individualism. We are born under a load of obligations of every kind, to our predecessors, to our successors, to our contemporaries. After our birth these obligations increase or accumulate, for it is some time before we can return any service.... This "to live for others", the definitive formula of human morality, gives a direct sanction exclusively to our instincts of benevolence, the common source of happiness and duty. Man must serve Humanity, whose we are entirely." (Comte, 1852).
Esta será a definição primordial de altruísmo, uma noção de "viver para os outros", presente no mais básico senso comum de uma cultura ocidental, um conceito que evoca a benevolência de uma moralidade suprema, à qual somos doutrinados (quase) inatamente. A ideia de que agir em prol de alguém baseia-se na simples manutenção do bem-estar dos outros e diz respeito a um concepção que sempre nos acompanhou culturalmente, porém será realmente essa a razão para se agir altruisticamente?
Se olharmos para a problemática com um olhar mais minuncioso apercebemo-nos que a todo o chamado acto altruísta está associado algo de benéfico para nós, ou melhor dizendo, cria uma salvaguarda à sanidade psicologica de quem, supostamente, agiu em prol dos outros. Fala exclusivamente por "inferência empirica" (conceito um pouco estranho... até para mim que o escrevi) da minha parte, porque quando ajo altruísticamente tenho noção que me poupo de sentimentos como culpa, remorso, ou até mesmo de me sentir fraco no que toca firmeza de principios... Inclusivamente, posso ainda sentir-me auto-realizado e reconhecido pelo alheio, ganhando, por isso, uma forma subtil de respeito. Fantástico, com o altruísmo posso afinal ajudar-me a mim ajudando os outros... isto então não vai em conta com o que se diz ser o altruísmo... =\ Esta noção de feedback das acções altruístas, a puxar para o yes, coloca de imediato outra questão... Então porque sentimos nós esses sentimentos negativos, que nos motivam a agir altruísticamente como forma de os evitar? A respostas está na empatia... Para aqueles que não estão familiarizados com o conceito de empatia, passo a explicar... Empatia, neste contexto, é uma forma de percepção que nos permite inferir o estado emocional de outra pessoa e com isso criar uma espécie de laço de "mini-solidariedade"! Sabendo isto torna-se também obvio que existe direntes niveis de empatia, sendo que aos maiores níveis empáticos vêm associados os comportamentos altruístas! E porquê? Por exemplo, toda a gente sabe que há fome no mundo e que há pessoas a morrerem por isso, no entanto ninguém se preocupa muito a ponto de agir altruisticamente. Porém, se nos depararmos com casos singulares no nosso dia-a-dia, isto é, caso tenhamos contacto com um desses casos específicos (como ver um rapazinho muito magro, desidratado a pedir comida na rua... que agressivo), a probabilidade de experienciarmos um sentimento empático é maior. A partir daqui podemos perceber que o contacto e a empatia são variáveis suficientes para despoletar um comportamento altruísta. Posto isto, propunha explicar o fenómeno como activado por um sentimento empático e motivado com o fim de, não só reduzir o efeito dos estados psicológicos negativos (entenda-se este termo como todos os sentimentos que nos fazem sentir mal), mas também para evitar estados negativos de “maior ordem”, como a depressão. Imaginemos um caso em que presenciamos um assalto e observamos o espancamento do assaltado. Caso não procedêssemos a um comportamento altruísta por medo e, se isso fosse contra algum princípio próprio, o mais provável seria o sujeito ter uma crise de identidade. Neste caso, um acto altruísta poderia evitar esse resultado, daí dizer que agir altruisticamente serve também para evitar grandes desordens psicológicas. É também necessário referir a existência de um factor cultural/ambiental, e até mesmo genético, que com certeza influência a natureza do altruísmo, caso contrário não existiriam criminosos e ninguém negava ajuda a ninguém. É esta a minha visão sobre o motivo que nos leva a agir em prol de outros... Não é uma simples ideia de benevolencia fortuita, mas uma forma de conexão por necessidade com outras pessoas para manter a nossa sanidade e auto-preservação...
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