Já, certamente, vos terá acontecido surgir-vos uma incessante vontade de conversar, desabafar, escrever, gritar, sem, contudo, ter o mínimo sentido, ora a nível de origem, ora de constructo/conteúdo/significado.
O que é verdade, é que o dia de hoje me apareceu como tal: um aperto cá dentro que me dizia nas intermitências do estudo: "Anda lá man, faz uma pausa para escrever qualquer merda".
A verdade é que não queria encher nenhum espaço público de lixo pois, se por um lado, a Internet é pública (ah e tal o ar é de todos não te estou a tocar), por outro, não quero obrigar ninguém a perder o seu tempo a ler algo que nem eu sei bem porquê que estou a criar (além do mais não quero chatear os meus colegas de blog).
O que é certo é que passado o dia, continuo com o tremer na ponta dos dedos que apenas acalmam enquanto "bato" nas teclas do computador. Também porque me senti catalisado nesta escrita pelo texto anterior que fala de francesinhas e de sushi (com o qual concordo profundamente; aplicaria até o grande hit da música nacional desse grande colosso que é Marco Paulo - Eu tenho dois amores).
Não vou falar de comida propriamente dita. Deixem-me ver se consigo fazer-me entender por meio de uma ida uns dias atrás.
...
Há coisa de 2 ou 3 dias atrás, falei com alguém que me pediu sugestões para um projecto de fotografia. Ao início fiquei um bocado confuso porque não percebo ponta do assunto e também não queria fazer figuras tristes. Então pedi que me aprofundasse a questão. E foi qualquer coisa do género: "Por exemplo, um estudo sobre portas; teria de fotografar portas de ferro, de madeira, velhas, novas, casas sem portas, etc!".
Tudo bem. É arte, sem dúvida. Mas, a não ser que uma metáfora muito rebuscada estivesse associada, não vejo que tipo de influência pró-social poderia ter (e na altura em que vivemos acho que o nosso primeiro intuito deve ter por base a pró-socialidade - rico termo).
Então, entendido mais ou menos o conceito, sugeri o seguinte: vai para a rua e fotografa sorrisos. Não vás com um sentido incutido em ti mesma mas sim sai à rua com uma máquina fotográfica na mão e fotografa fenómenos; fotografa pessoas a passearem de mãos dadas com marido/mulher, namorado/a, filhos/as, amigos/as; a contemplar edifícios, a falar ao telemóvel e guarda em forma de imagem aquilo que de mais belo uma pessoa consegue ter, que é a felicidade genuína presente num sorriso.
O texto do sushi e da francesinha lembrou-me isso mesmo: a pura da felicidade.
Por mais que nalguns desses almoços/jantares com alguéns tão especiais para mim (que não preciso referir) passasse o tempo todo a mandar vir, a queixar-me, ou a ouvir queixas, havia sempre um momento, um minuto, um segundo, em que o mais genuíno dos sorrisos surgia como reconhecimento da amizade que ali se proliferava. E é desses momentos que me lembro, e não da quantidade de hosomakis, nigiris e sashimi que comi.
Também, muito sinceramente, não me lembro se o molho das francesinhas que comi com esta companhia eram bons ou maus, picantes ou insossos, ou se comi muita ou pouca batata.
Lembro-me é que em cada um desses jantares, houve sorrisos e risos mais que espontâneos que fizeram os 12 euros (ou mais) valerem 1000 e 0 euros simultaneamente; 1000 ou mais porque o momento realmente valeu a pena; 0 porque nenhum dinheiro do mundo, ao lado do valor daqueles momentos, teria valor algum.
Por isso, caro Gil, e surgiu-me também ela espontaneamente, te dou a minha resposta: sushi ou francesinha, se for com quem vale a pena, tanto faz! Até uma sande e uma garrafa de água me sabiam a marisco, se por trás, frente e meio, estivessem momentos que, actualmente, mais de 2000km separam.
Foi isso que tornou, torna e mantém o sushi/francesinha Yesendary!
"A melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades..." - Abraham Lincoln
Um abraço e até já, porque o pão com manteiga tem-me sabido muito a pão com manteiga.
8 comentários:
Quando falei no dilema era para fazer alusão ao conflito que tens em escolher entre duas cenas que sabes que "não podes viver sem". Apesar de a tua resposta não se aplicar a todos os casos, ela é realmente imprescindível e verdadeira! Aliás, faz parte do nosso Yes! ver as coisas assim!
E pronto, gosto mesmo quando mimas assim o pessoal com palavras assim fofinhas xD
Guarda os 12€, não te esqueças!
Não sabia que a homossexualidade na Turquia era tão influente! Tão lindo... Estava na parte das francesinhas a 0 euros e já tinha urinado as calças... lanço eu agora um novo dilema e bastante contextual. Prostitutas belgas ou muçulmanas??? yeeeeeee! Agora, sem dúvida, a relação entre a companhia e o preço tem uma relação concreta e proporcional.
Caro Rhiakath d'Angoulême, como é óbvio eu percebi o contexto do teu dilema e era algo a que eu próprio não saberia responder (como deixei claro no meu post). Quis responder mais no âmbito do mimo do que da lógica/emoção associada à escolha perante esse tão cruel caminho bifurcado...
Barito, antes de mais espero que esteja tudo bem por terras turcas.
De facto teria uma relação mais concreta, de qualquer das formas, a esse dilema, eu teria resposta, portanto, de forma prática e pragmática, não me assustaria a problemática associada a indecisão na escolha.
Cumprimentos
Que confusão que praqui vai. Aqui de terras turcas e ao qual o Barito se referia penso eu de que, obviamente não é o autor desta rubrica. De modo que esclarecimentos sejam feitos e piadas entendidas e mensagens compreendidas. De qualquer dos modos, saudações de terras turcas de quem está realmente na Turquia e não tem nada a ver com nada!
Ademais apraz me dizer, bom post e bem vindo Valter.
(LOL)
Estou extremamente confuso... acabei de urinar outra vez as calças... ah bom! afinal foi mesmo ejaculação súbita... Novo dilema. Se eu morresse e fosse para o céu, quais eram as hipóteses de me enganar no caminho?
ler textos assim e ter vontade de falar com amigos "ausentes"
obrigada caro sparks.
i guess i missunderstood the author
still
bom texto!
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