image by aasiek (deviantART)
*BAM* Voltei a ter aquela sensação de dejá vù... Aquela em que estou a ouvir uma música e, com um olho a espreitar para dentro e outro para fora, me lembro que o escrever sobre essas coisas que, em mim, vou vendo nunca me falhou e sempre me ajudou a sentir, até certo ponto, com o pensamento reciclado. So here I am, de volta ao meu "spitton" predilecto, pronto para esvaziar as entranhas e deixar tudo limpinho para assentar as ideias. Mais a mais, reparei que faz pouco mais de um ano que não escrevo... deve ser um sinal!
Anyway, começando pelo início, sabem aqueles momentos em que se está a ouvir a música e, naquela harmonia perfeita entre a linguagem emocional do som e das palavras, ouvimos uma simples palavra-chave que faz com que nos caia a ficha e que desencadeia todo um debate interno? E é curioso porque muitas vezes, nesse debate, mesmo chegando a conclusões explicitamente óbvias para nós, naquela fracção de segundo, o corpo também responde e dá à cabeça mais do que conceitos abstractos. É como aquelas situações em que, por exemplo, se está numa relação e, mesmo que se saiba que há algo fundamentalmente errado nela, vai sempre bater brutalmente mais quando alguém de fora nos disser que sim, há coisas que estão mal e não se podem misturar com o conceito de amor. Mas, voltando ao tópico, foi esse voltar a sentir na pele que a música me proporcionou, que me motivou a voltar a escrever, desta vez sobre um tema que maior parte dos felizardos/as que tiveram o prazer delicioso de gostar realmente de alguém (e talvez alguns dos pobrezinhos/as que ainda não) bem conhecem - o conflito conjugal a.k.a. a puta das discussões!
O conflito conjugal é, quase sempre, a razão mais explícita para o término de relações. Seja porque, escale até níveis de agressividade explícitos, seja porque diminua a tolerância e disponibilidade dos elementos do casal para lidarem um com o outro, a verdade é que, a partir do momento em que a primeira discussão acontece, parece que se aciona ali uma bomba relógio que, a cada *tic* e cada *tac*, vai destruindo todos os vínculos e todos associações positivas que um tem do outro até que, eventualmente, acabe por explodir. À custa disto, vou vendo, nas relações dos outros e nas minhas próprias, que existe, muitas vezes, a tendência (nem sempre consciente) em pensar que "com esta nova pessoa há-de ser diferente" e que nunca vão discutir porque a relação é perfeita e "desta vez é que é"! ... Ok, newsflash --> THIS IS BULLSHIT! Não me entendam mal, eu acho que este é o mindset perfeito para uma relação, especialmente na fase inicial! I mean, ainda é maior bullshit entrar numa relação de pé atrás, inundar toda esta fase deliciosa com preocupações e deixar de a desfrutar a altura mais fácil de uma relação, onde tudo é novo e excitante. Aliás, a propósito disso, já tive pessoas que me disseram que ser apreensivo e resistente era aprender com os erros, basicamente a deixar subliminar que o problema é a discussão e nada mais! Enfim... Imaginem este cenário --> nós somos tipo babuínos com o cu vermelho e o conflito conjugal é um touro que vai sempre perseguir o vermelho! Basicamente o que eu percebo quando estas pessoas me dizem que o problema é a discussão, e que "opá o nosso problema é o touro ter nascido". Meus amores, os nossos pais já discutiam ainda nem éramos nascidos, o nossos avós, even the fucking king of france e a rainha deviam de discutir (no citation needed).
Conflito conjugal é algo incontornável que há-de sempre surgir porque, são duas pessoas a lutar por encontrar segurança e compreensão um no outro, estando eles limitados pela impossibilidade de entrar na cabeça do outro! Que bom seria poder ter a sintonia máxima e perceber sempre o que o outro sente e quer dizer e ter a certeza que o outro percebia exactamente cada palavra, cada significado e cada sensação em todos os momentos. I mean, se algum dia for possível elevar formas de comunicação a esse nível então será world peace for everyone, sem dúvida nenhuma. Mas, dentro do meu conhecimento, não é possível! Estamos presos a ter que interpretar constantemente aquilo que o outro está a dizer e evitar ao máximo que as coisas fiquem perdidas na tradução. Aliás até vos faço um desenho que representa a comunicação humana:
Isto é o que um diz:
__________________________________
Isto é o que o outro ouve:
_____ __ ___ __ ___ ___ _____
O desafio é sempre este... As palavras não são ouvidas! Palavras são veículos de pensamentos recheados de meaning e apenas os significados são realmente ouvidos... Eu posso explicar isto com um apontamento curioso: Uma vez estava com uma amiga luso-francesa e perguntei-lhe o seguinte - "Tu pensas em francês ou pensas em português?" - ao que ela me responde - "Hum, eu normalmente não penso em nenhuma língua, simplesmente penso e já sei o que quero dizer ou fazer!". Pensamentos são, nessa lógica, significados e sensações. O desafio é transmitir esse significado (que na nossa cabeça é uma linha contínua) ao outro (que só vai receber um conjunto de pistas sob forma de palavras com as quais vai tentar afunilar o significado que queremos transmitir, deixando a nossa linda linha contínua cheia de buracos). Esses espaços em branco ficam sempre ao encargo do outro. É ele que terá que os preencher com os significados que entende que a outra pessoa lhe quer transmitir e todo esse julgamento é influenciado pelos estigmas bons ou maus que se tenha do outro e pela própria bagagem acumulada pelo tradutor em todos os seus anos de vida, desde o momento em que estava na barriga a sentir o que a mãe sentia (sim isso acontece, do your homework) até às coisas que foi sentindo e aprendendo até hoje. Claro que o conflito é incortornável... Não muita margem para não errar,certo?
Para além disso, há sempre a possibilidade de o outro simplesmente não ser a pessoa certa naquele momento, graças a toda essa bagagem. Amor requer ter sorte porque é como uma lotaria que também vive do timing, do quão disponível se está para estar numa relação, bem como das expectativas que já existiam à volta do outro. A verdade é que se se planeia passar anos com uma só outra pessoa, naturalmente as coisas hão-de flutuar e eventualmente há-de surgir algo a que torçamos o nariz! Ninguém é perfeito e às vezes as há coisas que se revelam, coisas que nos tiram toda a tesão, porque simplesmente não é aquilo que esperávamos da pessoa que idealizamos. Mas cuidado, meus anjos, façam bom uso da vossa sensatez e vamos lá relativizar as coisas! Cada um é como é e há coisas que não atacam valores maiores. Por exemplo, ter hábitos nojentos ou formas de estar completamente fora - isso pode ser chato, mas isso diz algo sobre o amor que devemos esperar do outro? Honestamente acho que não! Nunca tive problema em ter que aceitar isso. No fundo, toda a gente (myself included) tem os seus "perks". Na minha perspectiva, nestes casos, vale sempre a pena olhar mais para o que se ganha do que para o que se perde. Agora naqueles casos em que o outro é capaz de atirar a primeira pedra e rebaixar, tentar controlar, insultar, agir com o intuito de prejudicar propositadamente o parceiro, etc, aí o caso é outro! Aí é perfeitamente possível perceber o amor que se deve esperar dessas pessoas. Não devemos nós esperar sempre que sejamos nós o foco? Quero dizer, quando se gosta a sério acontece aquele fenómeno brutal e delicioso onde a felicidade do outro se torna uma causa directa para a nossa própria! Acho que todos entendem isto! Não precisava de vir o Caetano Veloso dizer que quando a gente gosta, a gente cuida, right? Se a outra pessoa não tem esse drive, esse impulso de cuidar então qual é o problema dela? Ou nunca teve intenção de amar ou, simplesmente, não sabe direccionar o amor para o sítio certo! Pelas palavras dos Nirvana, se calhar só se querem amar a eles próprios. Com essas pessoas só há duas hipóteses: ou se sai; ou tenta-se estar lá até elas aprendem a amar! Se tiverem a paciência e o bolso para pagar o preço deste último, be my guest! Ao menos no final não sobrará nenhum "e se...".
Isto é o que um diz:
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Isto é o que o outro ouve:
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O desafio é sempre este... As palavras não são ouvidas! Palavras são veículos de pensamentos recheados de meaning e apenas os significados são realmente ouvidos... Eu posso explicar isto com um apontamento curioso: Uma vez estava com uma amiga luso-francesa e perguntei-lhe o seguinte - "Tu pensas em francês ou pensas em português?" - ao que ela me responde - "Hum, eu normalmente não penso em nenhuma língua, simplesmente penso e já sei o que quero dizer ou fazer!". Pensamentos são, nessa lógica, significados e sensações. O desafio é transmitir esse significado (que na nossa cabeça é uma linha contínua) ao outro (que só vai receber um conjunto de pistas sob forma de palavras com as quais vai tentar afunilar o significado que queremos transmitir, deixando a nossa linda linha contínua cheia de buracos). Esses espaços em branco ficam sempre ao encargo do outro. É ele que terá que os preencher com os significados que entende que a outra pessoa lhe quer transmitir e todo esse julgamento é influenciado pelos estigmas bons ou maus que se tenha do outro e pela própria bagagem acumulada pelo tradutor em todos os seus anos de vida, desde o momento em que estava na barriga a sentir o que a mãe sentia (sim isso acontece, do your homework) até às coisas que foi sentindo e aprendendo até hoje. Claro que o conflito é incortornável... Não muita margem para não errar,certo?
Para além disso, há sempre a possibilidade de o outro simplesmente não ser a pessoa certa naquele momento, graças a toda essa bagagem. Amor requer ter sorte porque é como uma lotaria que também vive do timing, do quão disponível se está para estar numa relação, bem como das expectativas que já existiam à volta do outro. A verdade é que se se planeia passar anos com uma só outra pessoa, naturalmente as coisas hão-de flutuar e eventualmente há-de surgir algo a que torçamos o nariz! Ninguém é perfeito e às vezes as há coisas que se revelam, coisas que nos tiram toda a tesão, porque simplesmente não é aquilo que esperávamos da pessoa que idealizamos. Mas cuidado, meus anjos, façam bom uso da vossa sensatez e vamos lá relativizar as coisas! Cada um é como é e há coisas que não atacam valores maiores. Por exemplo, ter hábitos nojentos ou formas de estar completamente fora - isso pode ser chato, mas isso diz algo sobre o amor que devemos esperar do outro? Honestamente acho que não! Nunca tive problema em ter que aceitar isso. No fundo, toda a gente (myself included) tem os seus "perks". Na minha perspectiva, nestes casos, vale sempre a pena olhar mais para o que se ganha do que para o que se perde. Agora naqueles casos em que o outro é capaz de atirar a primeira pedra e rebaixar, tentar controlar, insultar, agir com o intuito de prejudicar propositadamente o parceiro, etc, aí o caso é outro! Aí é perfeitamente possível perceber o amor que se deve esperar dessas pessoas. Não devemos nós esperar sempre que sejamos nós o foco? Quero dizer, quando se gosta a sério acontece aquele fenómeno brutal e delicioso onde a felicidade do outro se torna uma causa directa para a nossa própria! Acho que todos entendem isto! Não precisava de vir o Caetano Veloso dizer que quando a gente gosta, a gente cuida, right? Se a outra pessoa não tem esse drive, esse impulso de cuidar então qual é o problema dela? Ou nunca teve intenção de amar ou, simplesmente, não sabe direccionar o amor para o sítio certo! Pelas palavras dos Nirvana, se calhar só se querem amar a eles próprios. Com essas pessoas só há duas hipóteses: ou se sai; ou tenta-se estar lá até elas aprendem a amar! Se tiverem a paciência e o bolso para pagar o preço deste último, be my guest! Ao menos no final não sobrará nenhum "e se...".
Bem, eu tenho a tendência para divagar, por isso, sumariando um pouco, na situação do touro (discussão), onde é que está o problema?
- No facto do touro (discussão) ter nascido?
Não. O touro é um conceito abstracto... Ele existirá sempre porque é impossível dois seres-humanos estar em completa sintonia, yes?
-Ah! Então problema está no nosso rabo ser vermelho (incapacidade de perceber totalmente o que o outro diz ou o que o outro quer)?
Não. Nós nascemos todos com o rabo vermelho. Stop focusing on the unchangable stuff! Nós também não podemos voar por nós próprios porque não temos asas nem fisionomia para tal!... It's the same thing... Estamos limitados a ter que esperar que o outro perceba e preencha os buracos com o significado certo, tal como estamos limitados por não conseguir reconhecer a 100% as intenções e/ou a capacidade de amar do outro!
Então onde raio está problema? De certeza que não é em coisas que não se podem mudar, como estas suprarreferidas! É que a sério... Só me vem à mente aquele filme das formigas da Disney - "Bug's Life" - em que a folha cai no caminho das formigas e elas entram em pânico porque se quebrar a linha, quando só precisavam de a contornar. Neste caso é a mesma coisa, you gotta go around it e agarrar o touro pelos cornos! Não o fazendo só restaria a hipótese de evitar e, tratando-se do conflito algo que irá sempre surgir, ou se guarda para sempre as coisas até alguém quebrar e implodir por tanto sapo que engoliu ou se foge até as pessoas se desapaixonarem uma da outra, porque a relação não passará mais do que uma fuga stressante, sem pica sem excitação e sem sal nenhum! E ninguém quer estar numa relação para sentir coisas más, that's not the point of it! Mas, back to the subject - agarrar o touro pelos cornos... ok! Como é que isso se faz? Bem, apesar de ser um estudioso destas coisas, não posso dizer que tenha a resposta certa, não tivesse também eu sofrido com este tipo de problemas ao longo dos anos! No entanto, eu tenho uma coisa ou duas a dizer e vou tentar manter o discurso o mais leigo possível para que isto não se torne mais um parlapiê aborrecido... But here it goes!
Em primeiro lugar vamos pensar porque que raio é o conflito é uma coisa má e se podemos reciclar tudo para que se torne numa coisa boa!
Se vos perguntasse o porquê do conflito ser uma coisa má, vocês provavelmente diriam "Oh Gil, porque é stressante e desgastante estar naquela situação! É too much!". Certo, têm toda a razão! Mas honestamente, quando as minhas gatas se lembram de me cagar na banheira, isso também é fucking stressante! Eu amo-as de coração, mas for fuck sake, é dia sim dia não... um gajo fica esgotado de ser sempre a mesma coisa! Mas agora a sério, fora os exemplos "piadéticos", qual é diferença? O que é que está lá presente para o stress do conflito parecer sempre maior do que ter que constantemente limpar merda do sítio onde é suposto nós ficarmos limpinhos?
Bem, com certeza não será uma resposta simples, porque haverá sempre razões que andarão de mão dada! Mesmo assim vamos lá conjecturar um pouco!
2º Toda a gente já sofreu mais, directa ou indirectamente, por causa de pessoas porque nós somos, de facto, complicados. Pensem assim: quantas pessoas é que sofreram porque viram os pais discutir, quantas amizades se dissolveram por discussões, quanto sofrimento já tivemos por discutir com aquele namorado/a? De certeza que todos já têm um estigma sobre a discussão e de certeza que todos já sofreram com ela. Logo vai ser sempre quase um reflexo ter menos paciência e disponibilidade para ser construtivo. E não é preciso muito para se perder a paciência... Basta um mau dia e uma palavra mal empregue...
Alias se pensarmos bem, discussões são tipo música! Também existem palavras-chave, mas em vez de estarem acompanhadas de uma harmonia apaziguadora, vêm em forma de sons caóticos e sentimentos desconfortáveis! Às vezes uma palavra-chave dita no momento ou com o tom errado, resulta num shutdown do sistema e *BAM*, já nem se ouve mais nada. Acaba-se sempre por nunca discutir pelo conteúdo do que se está a dizer, mas sim pela forma como ele é exposto! É assim meus amores, é isto que me dana na maioria das pessoas... esta falta de assertividade!... Para que as pessoas se motivam a continuar não ser construtivo na discussão só porque o outro o fez sentir de determinada maneira?... Porquê todo este ressentimento? I mean, genericamente, eu não gosto de discutir, mas, se tal acontecer, é porque talvez seja necessário! É porque existe um problema que, se não for resolvido, vai-se acumular até rebentar pelas costuras! E, como já sabemos, nada é perfeito e problemas vão sempre surgir. É uma falha da natureza humana, não há nada a fazer!
Portanto pensem assim: a discussão é inevitável! E o que é que ela nos diz: que há um problema que tem que ser resolvido! E tem que ser resolvido logo? Opá, não,.. também é preciso escolher bem a altura! Nós precisamos de férias de problemas às vezes. Mas mais vale tarde que nunca!
E aqui entra a minha visão da parte boa das discussões! Já a minha orientadora uma vez disse, ainda bem que existe conflito, porque é a altura em que tudo se torna explícito e sentido, tal como é a altura em que há o maior potencial de breakthrough dos problemas da relação! É o que eu digo o custo não tem que ser maior que a recompensa!
Para além disso tenho que confessar uma coisa... Às vezes até calha de ser thrilling a discussão, por um simples motivo que passo a explicar - Acho que toda a gente gosta de sentir que tem razão right? Ter razão dá-nos uma sensação de controlo que toda a gente precisa! Portanto eu não posso deixar de dizer que, ya... gosto de ter razão! Mas isto não quer dizer que discuta para ter razão, muito pelo contrário! Aliás, a maior verdade, é que eu prefiro não ter razão! Eu prefiro ser surpreendido com algo que me deixa sem resposta! Eu acho que há pouca coisa that gets me so hot e que seja tão erótica como uma mulher que me deixe sem argumentos! É entusiasmante, excitante, dá pica e, mais importante que tudo, deixa-me admirar a outra pessoa!
Para aqueles que ainda não perceberam porque é que as discussões destroem relações, here's the answer! Porque a dicussão mata a admiração e o carinho genuíno pelo outro... Nós deixamos de conseguir admirar o outro porque se tornam pessoas completamente diferentes ao longo de tanta discussão. No outro dia lembrei-me de ver um random episode de Friends e calhou o S03E17! Para quem não sabe é o episódio em que o Ross e a Rachel terminam a relação e onde ela lhe diz algo como: "Não posso continuar, porque para mim tu eras a pessoa que nunca me iria magoar."! Não dá para admiramos a pessoa consistentemente se a única coisa consistente na relação é o mal que nos sentimos nas discussões, sem ser compensado por isso! E se nós tiramos a admiração da relação, morre o desejo... Se morre o desejo, morre a intimidade... Se morre a intimidade aí torna-mo-nos apenas um amigo ou conhecido... E nenhum conhecido merece a minha paciência se me falar daquela maneira.
Bottom line - This is not fight club! Tem que se falar sobre as coisas para bem da relação, period! Se não conseguem lidar com isso, por favor vão pinando e dando beijinhos por aí, mas poupem-se, a vós e aos outros, ao tormento de estar numa relação tendo o fim dela em mente. Toda a gente passa pelas mesmas merdas, por isso é preciso não estigmatizar a discussão. O que é preciso, isso sim, é de lhe dar a volta! In the end, mesmo sendo ela uma bomba-relógio, podemos sempre desarma-la. Para isso é preciso muita paciência e a receita para a paciência requer essencialmente uma coisa! Consistência na vontade de querer continuar a aguentar... por acreditar que outro merece essa esforço porque o admiramos e porque esse será o nosso tributo ao amor que recebemos e que queremos retribuir de volta (just like in Scrubs). Se a admiração morrer... Bem, talvez seja sensato pensar bem se o problema está em nós ou no outro... E se, por mais que tentemos, no final seja sempre o outro que não faz para ser admirado... Well... Maybe next time we'll get it right, não? Eu acredito que sim!
- No facto do touro (discussão) ter nascido?
Não. O touro é um conceito abstracto... Ele existirá sempre porque é impossível dois seres-humanos estar em completa sintonia, yes?
-Ah! Então problema está no nosso rabo ser vermelho (incapacidade de perceber totalmente o que o outro diz ou o que o outro quer)?
Não. Nós nascemos todos com o rabo vermelho. Stop focusing on the unchangable stuff! Nós também não podemos voar por nós próprios porque não temos asas nem fisionomia para tal!... It's the same thing... Estamos limitados a ter que esperar que o outro perceba e preencha os buracos com o significado certo, tal como estamos limitados por não conseguir reconhecer a 100% as intenções e/ou a capacidade de amar do outro!
Então onde raio está problema? De certeza que não é em coisas que não se podem mudar, como estas suprarreferidas! É que a sério... Só me vem à mente aquele filme das formigas da Disney - "Bug's Life" - em que a folha cai no caminho das formigas e elas entram em pânico porque se quebrar a linha, quando só precisavam de a contornar. Neste caso é a mesma coisa, you gotta go around it e agarrar o touro pelos cornos! Não o fazendo só restaria a hipótese de evitar e, tratando-se do conflito algo que irá sempre surgir, ou se guarda para sempre as coisas até alguém quebrar e implodir por tanto sapo que engoliu ou se foge até as pessoas se desapaixonarem uma da outra, porque a relação não passará mais do que uma fuga stressante, sem pica sem excitação e sem sal nenhum! E ninguém quer estar numa relação para sentir coisas más, that's not the point of it! Mas, back to the subject - agarrar o touro pelos cornos... ok! Como é que isso se faz? Bem, apesar de ser um estudioso destas coisas, não posso dizer que tenha a resposta certa, não tivesse também eu sofrido com este tipo de problemas ao longo dos anos! No entanto, eu tenho uma coisa ou duas a dizer e vou tentar manter o discurso o mais leigo possível para que isto não se torne mais um parlapiê aborrecido... But here it goes!
Em primeiro lugar vamos pensar porque que raio é o conflito é uma coisa má e se podemos reciclar tudo para que se torne numa coisa boa!
Se vos perguntasse o porquê do conflito ser uma coisa má, vocês provavelmente diriam "Oh Gil, porque é stressante e desgastante estar naquela situação! É too much!". Certo, têm toda a razão! Mas honestamente, quando as minhas gatas se lembram de me cagar na banheira, isso também é fucking stressante! Eu amo-as de coração, mas for fuck sake, é dia sim dia não... um gajo fica esgotado de ser sempre a mesma coisa! Mas agora a sério, fora os exemplos "piadéticos", qual é diferença? O que é que está lá presente para o stress do conflito parecer sempre maior do que ter que constantemente limpar merda do sítio onde é suposto nós ficarmos limpinhos?
Bem, com certeza não será uma resposta simples, porque haverá sempre razões que andarão de mão dada! Mesmo assim vamos lá conjecturar um pouco!
- Primeiro ponto - As gatinhas não não falam por palavras, só por gestos e atitudes que nos dizem se gostam ou não de nós! É uma relação completamente descomplicada! Dos bichinhos só se pode esperar uma de três coisas - ou gostam, ou não gostam, o é-lhes indiferente! Por isso, mesmo que haja estigma do cocó na banheira, as coisas só se tornam complicadas até esse ponto. Já nas relações há sempre aquela moratória de não saber o que o outro está a pensar, porque as pessoas são mais difíceis de decifrar.
- Segundo ponto - Seguindo lógica do primeiro ponto, tenho que referir que a maior parte de nós já sabe e já tem o estigma que as pessoas são mesmo complicadas! Quero dizer, o máximo de sofrimento que podemos ter por causa de um animal é a ter que fazer o luto de uma morte, o que naturalmente não é porque o animal o tenha escolhido! Já as pessoas fazem-nos sofrer porque assim decidiram, porque nós já somos complicados por natureza. Basicamente, as nossas expectativas em relação a outras pessoas, sejam homens ou mulheres, à partida vão merecer menos paciência e compreensão da nossa parte do que um gato que provavelmente só cagou fora do sítio porque não se limpou o caixote nesse dia de manhã!
2º Toda a gente já sofreu mais, directa ou indirectamente, por causa de pessoas porque nós somos, de facto, complicados. Pensem assim: quantas pessoas é que sofreram porque viram os pais discutir, quantas amizades se dissolveram por discussões, quanto sofrimento já tivemos por discutir com aquele namorado/a? De certeza que todos já têm um estigma sobre a discussão e de certeza que todos já sofreram com ela. Logo vai ser sempre quase um reflexo ter menos paciência e disponibilidade para ser construtivo. E não é preciso muito para se perder a paciência... Basta um mau dia e uma palavra mal empregue...
Alias se pensarmos bem, discussões são tipo música! Também existem palavras-chave, mas em vez de estarem acompanhadas de uma harmonia apaziguadora, vêm em forma de sons caóticos e sentimentos desconfortáveis! Às vezes uma palavra-chave dita no momento ou com o tom errado, resulta num shutdown do sistema e *BAM*, já nem se ouve mais nada. Acaba-se sempre por nunca discutir pelo conteúdo do que se está a dizer, mas sim pela forma como ele é exposto! É assim meus amores, é isto que me dana na maioria das pessoas... esta falta de assertividade!... Para que as pessoas se motivam a continuar não ser construtivo na discussão só porque o outro o fez sentir de determinada maneira?... Porquê todo este ressentimento? I mean, genericamente, eu não gosto de discutir, mas, se tal acontecer, é porque talvez seja necessário! É porque existe um problema que, se não for resolvido, vai-se acumular até rebentar pelas costuras! E, como já sabemos, nada é perfeito e problemas vão sempre surgir. É uma falha da natureza humana, não há nada a fazer!
Portanto pensem assim: a discussão é inevitável! E o que é que ela nos diz: que há um problema que tem que ser resolvido! E tem que ser resolvido logo? Opá, não,.. também é preciso escolher bem a altura! Nós precisamos de férias de problemas às vezes. Mas mais vale tarde que nunca!
E aqui entra a minha visão da parte boa das discussões! Já a minha orientadora uma vez disse, ainda bem que existe conflito, porque é a altura em que tudo se torna explícito e sentido, tal como é a altura em que há o maior potencial de breakthrough dos problemas da relação! É o que eu digo o custo não tem que ser maior que a recompensa!
Para além disso tenho que confessar uma coisa... Às vezes até calha de ser thrilling a discussão, por um simples motivo que passo a explicar - Acho que toda a gente gosta de sentir que tem razão right? Ter razão dá-nos uma sensação de controlo que toda a gente precisa! Portanto eu não posso deixar de dizer que, ya... gosto de ter razão! Mas isto não quer dizer que discuta para ter razão, muito pelo contrário! Aliás, a maior verdade, é que eu prefiro não ter razão! Eu prefiro ser surpreendido com algo que me deixa sem resposta! Eu acho que há pouca coisa that gets me so hot e que seja tão erótica como uma mulher que me deixe sem argumentos! É entusiasmante, excitante, dá pica e, mais importante que tudo, deixa-me admirar a outra pessoa!
Para aqueles que ainda não perceberam porque é que as discussões destroem relações, here's the answer! Porque a dicussão mata a admiração e o carinho genuíno pelo outro... Nós deixamos de conseguir admirar o outro porque se tornam pessoas completamente diferentes ao longo de tanta discussão. No outro dia lembrei-me de ver um random episode de Friends e calhou o S03E17! Para quem não sabe é o episódio em que o Ross e a Rachel terminam a relação e onde ela lhe diz algo como: "Não posso continuar, porque para mim tu eras a pessoa que nunca me iria magoar."! Não dá para admiramos a pessoa consistentemente se a única coisa consistente na relação é o mal que nos sentimos nas discussões, sem ser compensado por isso! E se nós tiramos a admiração da relação, morre o desejo... Se morre o desejo, morre a intimidade... Se morre a intimidade aí torna-mo-nos apenas um amigo ou conhecido... E nenhum conhecido merece a minha paciência se me falar daquela maneira.
Bottom line - This is not fight club! Tem que se falar sobre as coisas para bem da relação, period! Se não conseguem lidar com isso, por favor vão pinando e dando beijinhos por aí, mas poupem-se, a vós e aos outros, ao tormento de estar numa relação tendo o fim dela em mente. Toda a gente passa pelas mesmas merdas, por isso é preciso não estigmatizar a discussão. O que é preciso, isso sim, é de lhe dar a volta! In the end, mesmo sendo ela uma bomba-relógio, podemos sempre desarma-la. Para isso é preciso muita paciência e a receita para a paciência requer essencialmente uma coisa! Consistência na vontade de querer continuar a aguentar... por acreditar que outro merece essa esforço porque o admiramos e porque esse será o nosso tributo ao amor que recebemos e que queremos retribuir de volta (just like in Scrubs). Se a admiração morrer... Bem, talvez seja sensato pensar bem se o problema está em nós ou no outro... E se, por mais que tentemos, no final seja sempre o outro que não faz para ser admirado... Well... Maybe next time we'll get it right, não? Eu acredito que sim!




