terça-feira, 5 de maio de 2015

The First Rule of Fight Club is...


image by aasiek (deviantART)

*BAM* Voltei a ter aquela sensação de dejá vù... Aquela em que estou a ouvir uma música e, com um olho a espreitar para dentro e outro para fora, me lembro que o escrever sobre essas coisas que, em mim, vou vendo nunca me falhou e sempre me ajudou a sentir, até certo ponto, com o pensamento reciclado. So here I am, de volta ao meu "spitton" predilecto, pronto para esvaziar as entranhas e deixar tudo limpinho para assentar as ideias. Mais a mais, reparei que faz pouco mais de um ano que não escrevo... deve ser um sinal!


Anyway, começando pelo início, sabem aqueles momentos em que se está a ouvir a música e, naquela harmonia perfeita entre a linguagem emocional do som e das palavras, ouvimos uma simples palavra-chave que faz com que nos caia a ficha e que desencadeia todo um debate interno? E é curioso porque muitas vezes, nesse debate, mesmo chegando a conclusões explicitamente óbvias para nós, naquela fracção de segundo, o corpo também responde e dá à cabeça mais do que conceitos abstractos. É como aquelas situações em que, por exemplo, se está numa relação e, mesmo que se saiba que há algo fundamentalmente errado nela, vai sempre bater brutalmente mais quando alguém de fora nos disser que sim, há coisas que estão mal e não se podem misturar com o conceito de amor. Mas, voltando ao tópico, foi esse voltar a sentir na pele que a música me proporcionou, que me motivou a voltar a escrever, desta vez sobre um tema que maior parte dos felizardos/as que tiveram o prazer delicioso de gostar realmente de alguém (e talvez alguns dos pobrezinhos/as que ainda não) bem conhecem - o conflito conjugal a.k.a. a puta das discussões!

O conflito conjugal é, quase sempre, a razão mais explícita para o término de relações. Seja porque, escale até níveis de agressividade explícitos, seja porque diminua a tolerância e disponibilidade dos elementos do casal para lidarem um com o outro, a verdade é que, a partir do momento em que a primeira discussão acontece, parece que se aciona ali uma bomba relógio que, a cada *tic* e cada *tac*, vai destruindo todos os vínculos e todos associações positivas que um tem do outro até que, eventualmente, acabe por explodir. À custa disto, vou vendo, nas relações dos outros e nas minhas próprias, que existe, muitas vezes, a tendência (nem sempre consciente) em pensar que "com esta nova pessoa há-de ser diferente" e que nunca vão discutir porque a relação é perfeita e "desta vez é que é"! ... Ok, newsflash --> THIS IS BULLSHIT! Não me entendam mal, eu acho que este é o mindset perfeito para uma relação, especialmente na fase inicial! I mean, ainda é maior bullshit entrar numa relação de pé atrás, inundar toda esta fase deliciosa com preocupações e deixar de a desfrutar a altura mais fácil de uma relação, onde tudo é novo e excitante. Aliás, a propósito disso, já tive pessoas que me disseram que ser apreensivo e resistente era aprender com os erros, basicamente a deixar subliminar que o problema é a discussão e nada mais! Enfim... Imaginem este cenário --> nós somos tipo babuínos com o cu vermelho e o conflito conjugal é um touro que vai sempre perseguir o vermelho! Basicamente o que eu percebo quando estas pessoas me dizem que o problema é a discussão, e que "opá o nosso problema é o touro ter nascido". Meus amores, os nossos pais já discutiam ainda nem éramos nascidos, o nossos avós, even the fucking king of france e a rainha deviam de discutir (no citation needed). 
Conflito conjugal é algo incontornável que há-de sempre surgir porque, são duas pessoas a lutar por encontrar segurança e compreensão um no outro, estando eles limitados pela impossibilidade de entrar na cabeça do outro! Que bom seria poder ter a sintonia máxima e perceber sempre o que o outro sente e quer dizer e ter a certeza que o outro percebia exactamente cada palavra, cada significado e cada sensação em todos os momentos. I mean, se algum dia for possível elevar formas de comunicação a esse nível então será world peace for everyone, sem dúvida nenhuma. Mas, dentro do meu conhecimento, não é possível! Estamos presos a ter que interpretar constantemente aquilo que o outro está a dizer e evitar ao máximo que as coisas fiquem perdidas na tradução. Aliás até vos faço um desenho que representa a comunicação humana:

Isto é o que um diz:

__________________________________

Isto é o que o outro ouve:

_____    __ ___ __      ___      ___ _____

O desafio é sempre este... As palavras não são ouvidas! Palavras são veículos de pensamentos recheados de meaning e apenas os significados são realmente ouvidos... Eu posso explicar isto com um apontamento curioso: Uma vez estava com uma amiga luso-francesa e perguntei-lhe o seguinte - "Tu pensas em francês ou pensas em português?" - ao que ela me responde - "Hum, eu normalmente não penso em nenhuma língua, simplesmente penso e já sei o que quero dizer ou fazer!". Pensamentos são, nessa lógica, significados e sensações. O desafio é transmitir esse significado (que na nossa cabeça é uma linha contínua) ao outro (que só vai receber um conjunto de pistas sob forma de palavras com as quais vai tentar afunilar o significado que queremos transmitir, deixando a nossa linda linha contínua cheia de buracos). Esses espaços em branco ficam sempre ao encargo do outro. É ele que terá que os preencher com os significados que entende que a outra pessoa lhe quer transmitir e todo esse julgamento é influenciado pelos estigmas bons ou maus que se tenha do outro e pela própria bagagem acumulada pelo tradutor em todos os seus anos de vida, desde o momento em que estava na barriga a sentir o que a mãe sentia (sim isso acontece, do your homework) até às coisas que foi sentindo e aprendendo até hoje. Claro que o conflito é incortornável... Não muita margem para não errar,certo?
Para além disso, há sempre a possibilidade de o outro simplesmente não ser a pessoa certa naquele momento, graças a toda essa bagagem. Amor requer ter sorte porque é como uma lotaria que também vive do timing, do quão disponível se está para estar numa relação, bem como das expectativas que já existiam à volta do outro. A verdade é que se se planeia passar anos com uma só outra pessoa, naturalmente as coisas hão-de flutuar e eventualmente há-de surgir algo a que torçamos o nariz! Ninguém é perfeito e às vezes as há coisas que se revelam, coisas que nos tiram toda a tesão, porque simplesmente não é aquilo que esperávamos da pessoa que idealizamos. Mas cuidado, meus anjos, façam bom uso da vossa sensatez e vamos lá relativizar as coisas! Cada um é como é e há coisas que não atacam valores maiores. Por exemplo, ter hábitos nojentos ou formas de estar completamente fora - isso pode ser chato, mas isso diz algo sobre o amor que devemos esperar do outro? Honestamente acho que não! Nunca tive problema em ter que aceitar isso. No fundo, toda a gente (myself included) tem os seus "perks". Na minha perspectiva, nestes casos, vale sempre a pena olhar mais para o que se ganha do que para o que se perde. Agora naqueles casos em que o outro é capaz de atirar a primeira pedra e rebaixar, tentar controlar, insultar, agir com o intuito de prejudicar propositadamente o parceiro, etc, aí o caso é outro! Aí é perfeitamente possível perceber o amor que se deve esperar dessas pessoas. Não devemos nós esperar sempre que sejamos nós o foco? Quero dizer, quando se gosta a sério acontece aquele fenómeno brutal e delicioso onde a felicidade do outro se torna uma causa directa para a nossa própria! Acho que todos entendem isto! Não precisava de vir o Caetano Veloso dizer que quando a gente gosta, a gente cuida, right? Se a outra pessoa não tem esse drive, esse impulso de cuidar então qual é o problema dela? Ou nunca teve intenção de amar ou, simplesmente, não sabe direccionar o amor para o sítio certo! Pelas palavras dos Nirvana, se calhar só se querem amar a eles próprios. Com essas pessoas só há duas hipóteses: ou se sai; ou tenta-se estar lá até elas aprendem a amar! Se tiverem a paciência e o bolso para pagar o preço deste último, be my guest! Ao menos no final não sobrará nenhum "e se...".

Bem, eu tenho a tendência para divagar, por isso, sumariando um pouco, na situação do touro (discussão), onde é que está o problema?
- No facto do touro (discussão) ter nascido? 
Não. O touro é um conceito abstracto... Ele existirá sempre porque é impossível dois seres-humanos estar em completa sintonia, yes?
-Ah! Então problema está no nosso rabo ser vermelho (incapacidade de perceber totalmente o que o outro diz ou o que o outro quer)?
Não. Nós nascemos todos com o rabo vermelho. Stop focusing on the unchangable stuff! Nós também não podemos voar por nós próprios porque não temos asas nem fisionomia para tal!... It's the same thing... Estamos limitados a ter que esperar que o outro perceba e preencha os buracos com o significado certo, tal como estamos limitados por não conseguir reconhecer a 100% as intenções e/ou a capacidade de amar do outro!

Então onde raio está problema? De certeza que não é em coisas que não se podem mudar, como estas suprarreferidas! É que a sério... Só me vem à mente aquele filme das formigas da Disney - "Bug's Life" - em que a folha cai no caminho das formigas e elas entram em pânico porque se quebrar a linha, quando só precisavam de a contornar. Neste caso é a mesma coisa, you gotta go around it e agarrar o touro pelos cornos! Não o fazendo só restaria a hipótese de evitar e, tratando-se do conflito algo que irá sempre surgir, ou se guarda para sempre as coisas até alguém quebrar e implodir por tanto sapo que engoliu ou se foge até as pessoas se desapaixonarem uma da outra, porque a relação não passará mais do que uma fuga stressante, sem pica sem excitação e sem sal nenhum! E ninguém quer estar numa relação para sentir coisas más, that's not the point of it! Mas, back to the subject - agarrar o touro pelos cornos... ok! Como é que isso se faz? Bem, apesar de ser um estudioso destas coisas, não posso dizer que tenha a resposta certa, não tivesse também eu sofrido com este tipo de problemas ao longo dos anos! No entanto, eu tenho uma coisa ou duas a dizer e vou tentar manter o discurso o mais leigo possível para que isto não se torne mais um parlapiê aborrecido... But here it goes!

Em primeiro lugar vamos pensar porque que raio é o conflito é uma coisa má e se podemos reciclar tudo para que se torne numa coisa boa!
Se vos perguntasse o porquê do conflito ser uma coisa má, vocês provavelmente diriam "Oh Gil, porque é stressante e desgastante estar naquela situação! É too much!". Certo, têm toda a razão! Mas honestamente, quando as minhas gatas se lembram de me cagar na banheira, isso também é fucking stressante! Eu amo-as de coração, mas for fuck sake, é dia sim dia não... um gajo fica esgotado de ser sempre a mesma coisa! Mas agora a sério, fora os exemplos "piadéticos", qual é diferença? O que é que está lá presente para o stress do conflito parecer sempre maior do que ter que constantemente limpar merda do sítio onde é suposto nós ficarmos limpinhos?
Bem, com certeza não será uma resposta simples, porque haverá sempre razões que andarão de mão dada! Mesmo assim vamos lá conjecturar um pouco!
  •  Primeiro ponto - As gatinhas não não falam por palavras, só por gestos e atitudes que nos dizem se gostam ou não de nós! É uma relação completamente descomplicada! Dos bichinhos só se pode esperar uma de três coisas - ou gostam, ou não gostam, o é-lhes indiferente! Por isso, mesmo que haja estigma do cocó na banheira, as coisas só se tornam complicadas até esse ponto. Já nas relações há sempre aquela moratória de não saber o que o outro está a pensar, porque as pessoas são mais difíceis de decifrar.
  • Segundo ponto - Seguindo lógica do primeiro ponto, tenho que referir que a maior parte de nós já sabe e já tem o estigma que as pessoas são mesmo complicadas! Quero dizer, o máximo de sofrimento que podemos ter por causa de um animal é a ter que fazer o luto de uma morte, o que naturalmente não é porque o animal o tenha escolhido! Já as pessoas fazem-nos sofrer porque assim decidiram, porque nós já somos complicados por natureza. Basicamente, as nossas expectativas em relação a outras pessoas, sejam homens ou mulheres, à partida vão merecer menos paciência e compreensão da nossa parte do que um gato que provavelmente só cagou fora do sítio porque não se limpou o caixote nesse dia de manhã!
1º Tentem perceber a metáfora e não sejam simple-minded e me digam que o conflito conjugal é mau porque (insert sarcasm) é complicar algo que devia de ser, na nossa cabeça, simples, porque fucking love conquers all!!... lol. Eu não culpo a Disney por isso... Afinal, somos nós que resistimos em aprender sem meter o rabinho entre as pernas. Pelo menos é isso que sinto que tem vindo a acontecer. As novas gerações têm tão mais abertura em relações que antes, mas em contrapartida há cada vez menos tolerância às preocupações! Stress é destrutivo e ninguém o quer sentir, mas please... Nós podemos ser mais fortes e resilientes que isso e eu ainda acredito que a recompensa é maior que o custo, porque, na minha opinião, eu preferia  ir sofrendo e tentar até dar do que viver sempre na pele de perdedor! Vamos lá arranjar outra forma de agarrar o touro pelos cornos, gente.
2º Toda a gente já sofreu mais, directa ou indirectamente, por causa de pessoas porque nós somos, de facto, complicados. Pensem assim: quantas pessoas é que sofreram porque viram os pais discutir, quantas amizades se dissolveram por discussões, quanto sofrimento já tivemos por discutir com aquele namorado/a? De certeza que todos já têm um estigma sobre a discussão e de certeza que todos já sofreram com ela. Logo vai ser sempre quase um reflexo ter menos paciência e disponibilidade para ser construtivo. E não é preciso muito para se perder a paciência... Basta um mau dia e uma palavra mal empregue...
Alias se pensarmos bem, discussões são tipo música! Também existem palavras-chave, mas em vez de estarem acompanhadas de uma harmonia apaziguadora, vêm em forma de sons caóticos e sentimentos desconfortáveis! Às vezes uma palavra-chave dita no momento ou com o tom errado, resulta num shutdown do sistema e *BAM*, já nem se ouve mais nada. Acaba-se sempre por nunca discutir pelo conteúdo do que se está a dizer, mas sim pela forma como ele é exposto! É assim meus amores, é isto que me dana na maioria das pessoas... esta falta de assertividade!... Para que as pessoas se motivam a continuar não ser construtivo na discussão só porque o outro o fez sentir de determinada maneira?... Porquê todo este ressentimento? I mean, genericamente, eu não gosto de discutir, mas, se tal acontecer, é porque talvez seja necessário! É porque existe um problema que, se não for resolvido, vai-se acumular até rebentar pelas costuras! E, como já sabemos, nada é perfeito e problemas vão sempre surgir. É uma falha da natureza humana, não há nada a fazer!

Portanto pensem assim: a discussão é inevitável! E o que é que ela nos diz: que há um problema que tem que ser resolvido! E tem que ser resolvido logo? Opá, não,.. também é preciso escolher bem a altura! Nós precisamos de férias de problemas às vezes. Mas mais vale tarde que nunca!
E aqui entra a minha visão da parte boa das discussões! Já a minha orientadora uma vez disse, ainda bem que existe conflito, porque é a altura em que tudo se torna explícito e sentido, tal como é a altura em que há o maior potencial de breakthrough dos problemas da relação! É o que eu digo o custo não tem que ser maior que a recompensa!
Para além disso tenho que confessar uma coisa... Às vezes até calha de ser thrilling a discussão, por um simples motivo que passo a explicar - Acho que toda a gente gosta de sentir que tem razão right? Ter razão dá-nos uma sensação de controlo que toda a gente precisa! Portanto eu não posso deixar de dizer que, ya... gosto de ter razão! Mas isto não quer dizer que discuta para ter razão, muito pelo contrário! Aliás, a maior verdade, é que eu prefiro não ter razão! Eu prefiro ser surpreendido com algo que me deixa sem resposta! Eu acho que há pouca coisa that gets me so hot e que seja tão erótica como uma mulher que me deixe sem argumentos! É entusiasmante, excitante, dá pica e, mais importante que tudo, deixa-me admirar a outra pessoa!

Para aqueles que ainda não perceberam porque é que as discussões destroem relações, here's the answer! Porque a dicussão mata a admiração e o carinho genuíno pelo outro... Nós deixamos de conseguir admirar o outro porque se tornam pessoas completamente diferentes ao longo de tanta discussão. No outro dia lembrei-me de ver um random episode de Friends e calhou o S03E17! Para quem não sabe é o episódio em que o Ross e a Rachel terminam a relação e onde ela lhe diz algo como: "Não posso continuar, porque para mim tu eras a pessoa que nunca me iria magoar."! Não dá para admiramos a pessoa consistentemente se a única coisa consistente na relação é o mal que nos sentimos nas discussões, sem ser compensado por isso! E se nós tiramos a admiração da relação, morre o desejo... Se morre o desejo, morre a intimidade... Se morre a intimidade aí torna-mo-nos apenas um amigo ou conhecido... E nenhum conhecido merece a minha paciência se me falar daquela maneira.
Bottom line - This is not fight club! Tem que se falar sobre as coisas para bem da relação, period! Se não conseguem lidar com isso, por favor vão pinando e dando beijinhos por aí, mas poupem-se, a vós e aos outros, ao tormento de estar numa relação tendo o fim dela em mente. Toda a gente passa pelas mesmas merdas, por isso é preciso não estigmatizar a discussão. O que é preciso, isso sim, é de lhe dar a volta! In the end, mesmo sendo ela uma bomba-relógio, podemos sempre desarma-la.  Para isso é preciso muita paciência e a receita para a paciência requer essencialmente uma coisa! Consistência na vontade de querer continuar a aguentar... por acreditar que outro merece essa esforço porque o admiramos e porque esse será o nosso tributo ao amor que recebemos e que queremos retribuir de volta (just like in Scrubs). Se a admiração morrer... Bem, talvez seja sensato pensar bem se o problema está em nós ou no outro... E se, por mais que tentemos, no final seja sempre o outro que não faz para ser admirado... Well... Maybe next time we'll get it right, não? Eu acredito que sim!

terça-feira, 15 de abril de 2014

F*** You, No One!


image by by Hellknight10 (deviantART)


Ao som de Simon e Garfunkel, vou tentando desfrutar da melancolia e pensando no quão odeio o silêncio frio... That bastard! Mas, neste momento, enquanto as harmonias me acalmam a alma, atingiu-me um breve pensamento face a este ódio que tenho a determinado silêncio... 

Quando a angústia da frustração se apodera de nós, sinto e vejo que temos quase sempre que apontar o dedo, seja aos outros, seja a nós! Toda essa raiva por aquilo que nos roubam ou a raiva para com aquilo que nos faz sofrer... ela tem que sair! Ficar cá dentro é demasiado doloroso, é demasiado solitário... E como já disse, noutros tempos, é horrível sentir que sofrermos sozinhos. Mas o que fazer quando essa raiva não pode ser canalizada para fora de nós porque, simplesmente, não há alvo? What if, nós quiséssemos apontar o dedo e não houvesse ninguém para se encontrar com a ponta do nosso dedo? Ainda agora procuro uma resposta para esta pergunta porque, de facto, eu sofro deste mal! Sim, na verdade sinto que não tenho inimigos e nunca os tive nos últimos anos! E porquê? Bem a resposta mais óbvia passa pelo facto de eu, simplesmente e constantemente, tentar compreender as pessoas. Não se enganem, até pode parecer uma cena fixe e tal, mas, quando o revés da moeda se impõe, torna-se uma maldição, uma faca de dois gumes. É simples, a questão é que eu vejo tudo na vida como um oceano feito de gotas de atos e de consequências! Se as gotas do Oceano são as nossas ações e respetivas consequências o Oceano somos nós, no presente, exatamente como nós pensamos e como nós sentimos as coisas neste momento. E o facto de sermos uma espécie de máquina que come informação e tenta cagar soluções adaptativas pode complicar muito as coisas, porque é difícil ser objetivo quando tudo o que está à nossa volta é apenas uma interpretação nossa, condicionada pelas ações e consequências (ou gotas) que falei acima. Pensem, um puto que é mal tratado e exposto a violência vai, ou não, ver mais facilmente que uma criança desenvolvimentalmente saudável, agressividade num gesto com uma intenção ambígua? Se é isso que esperamos da vida é isso que encontramos nela...  Para além disso, as pessoas teimam em centrar-se no momento! Naquele momento fazem-me mal, logo essa pessoa é um tone, um boi, filho da p***, etc., certo? E o que o fez agir assim fica onde? Fica para além do momento, não? Há sempre um passado para o agora!

Eu, por acaso, olho constantemente para aquilo que precede o momento! Não sei, porquê... Se calhar não sou mais do que outro control freak obcecado pela lógica das coisas, sou outro obcecado por dar sentido ao mundo, para poder compreendê-lo e lê-lo como um livro que já li vezes e vezes sem conta.  Mas é isso que acontece, é assim que eu sinto as coisas. Mas se pensar no que é que isso implica para mim e no real impacto que isso pode ter em geral, chego a um ponto muito importante que faz toda a diferença! Apesar de compreensão me ajudar a sentir competente na minha área, no que respeita à análise e consciencialização do "que raio se está passar", eu não consigo desligar a compreensão da empatia... E é bom! É bom poder ajudar as pessoas! É bom poder saber o que é que a pessoa pode precisar! É bom sentir que, por isso, podemos conseguir fazer alguma diferença. Mas e se sou a compreender e a sofrer com o problema *BAM!* abre-se logo aí essa janelinha para me tramarem, porque sofro e só eu é que, sozinho, lido com toda esta negatividade! Não dá para passá-la ao culpado, porque pobre coitado, teve uma vida f#§€§@, até percebo o que levou a fazer/ser assim! 

Por exemplo, condenamos bullys por voluntariamente ostracizar outras crianças, cujas vidas podem ficar irremediavelmente marcadas, mas porque é que ele é assim? E a vitima, se se virar ao agressor (estilo Zangief Kid) é o herói? Porquê? Bem uma coisa é certa, o bully também sofre em algum lado e em alguma instância! Assumindo que a genética não se mete ao barulho, agressividade vem da raiva e a raiva vem do sofrimento e consequente falha (ou impossibilidade) em lidar com isso! Se calhar o bully também é vítima de maus tratos físicos ou psicológicos e a impossibilidade de retaliar faz com que se armazene muita raiva, ou se calhar foi mimada e habituada a sentir que tem que haver alguém mais miserável que ela própria. Se isso acontece, fica sabotado, logo desde aí, todo o processo de compreensão empática!  Apesar disso, moral está lá sempre, porque é fácil julgar quem faz bem ou mal! É simples, se causas dor és mau, mas se causas dor como retaliação à dor que te fizeram sentir então já tudo se torna mais justificável! There's some twisted notions in there, porque não será issoo que o bully poderá estar a fazer? Quero dizer, a causar dor como retaliação pelo que sofre? Pobre coitado, só perdeu a noção de para onde dirigir a frustração de não poder controlar o facto de que vai voltar a sofrer,  não obstante o quanto descarregue essa frustração! (E pronto lá estou eu com o pobre coitado do agressor.. não tenho remédio.)

No fundo não se trata mais do que isto... Somos um saco de porrada para as consequências dos nossos atos e os dos outros. Todos nós somos produtos do que vivemos e sentimos, e tudo o que vivemos e sentimos é influenciado pelo produto que somos neste preciso momento. Isto para dizer que nós construímos a nossa perceção da realidade com a informação que nos rodeia e, por isso, basta às vezes um mau dia para plantar "Thistle and Weeds" como diriam os Mumford and Sons (note: se não conhecem ouçam o raio da música que ela é espetacular!). E deixem-me explicar-vos isto, nunca há uma relação simples como "o ato precede a consequência", pois a consequência também precede um ato. E, na consequência de termos um mau dia, não temos motivos suficientes para compreender a má ação que lhe sucedeu? Para mim temos e, sinceramente, fico muito orgulhoso disso ser a minha maneira de pensar. Mas odeio-a, ao mesmo tempo, quando sou eu a vítima que tem que reciclar o seu sofrimento causado pela vida triste dos outros. 

É justo? Não, mas foi assim que escolhi ser! E não posso culpar a vida por ela ser assim tão injusta, ao ponto de me deixar angustiado por sofrer sem partir tudo... Não sou uma criança ambivalente que não sabe reconhecer o que a vida já lhe deu de bom! Eu ainda estou a disfrutar da viagem e, apesar dos tabefes que me apetece distribuir por ambas as bochechas da vida, prefiro não culpa-la e tentar compreendê-la!



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

obAMA

Depois de ter estado numa noite escaldante em que nem eu nem a Estatística conseguimos pregar olho e ficamos os dois acordados até às quinhentas a fazer Analises de Variância a 2 factores seguido dum teste para ver se tínhamos de rejeitar alguma hipótese ou se era verdadeira com um intervalo de confiança daqui a 9 meses fui divagar pelas internetes e não é que passei pelo reddit e algo de muito estranho me pasmou, durante um bom par de minutos o presidente Obama esteve a responder a qualquer pergunta que lhe colocassem, imagino que a reacção deva estar a ser algo parecido com o video seguinte:




NOT BAD!

terça-feira, 10 de julho de 2012

desabafo #1


Toda a gente está acomodada com a moda de ter de tirar mestrado a seguir a licenciatura? É que eu não consigo não me revoltar.

Porque que haveria de investir mais de 5000€ num mestrado só para conseguir trabalhar?

Alguém que me explique porque que é legitimo exigir mestrados quando este muito provavelmente não terá utilidade prática na função que irá desempenhar. Não me parece que seja de todo necessário. Se o mercado de trabalho não o exigisse, o número de mestrandos caia para menos metade.
Quem disse que licenciatura de bolonha não conferiam a mesma "segurança" que as antigas? Têm menos duração, de facto, mas tive mais cadeiras por semestre do que qualquer licenciado pré-bolonha. Tive mais testes e mais exames ao longo de um ano do que qualquer licenciado pré-bolonha. As licenciaturas continham também várias cadeiras que não serviam de nada ou de muito pouco para a formação dos alunos e sem grande aplicabilidade no futuro, portanto foram eliminadas ou compactadas noutras cadeiras. Pois, nos cursos de bolonha existem cadeiras que compactam 2 cadeiras numa só.
Mas isso as empresas, não sabem, não valorizam.
Uma licenciatura de bolonha confere-me a mesma qualidade que os licenciados anteriores, com a vantagem de poder licenciar-me mais cedo e começar a "produzir" mais cedo. Mas as empresas viciam o jogo, para elas ainda não chega e vão exactamente no sentido contrário. Vão exigir mais e atrasar mais. Como se isso ajudasse de alguma forma alguma coisa.
Não entendo, juro que não. Este tipo de licenciatura já foi implementado há varios anos atrás noutros paises e o que se verificou foi apenas a "adaptação" do mercado de trabalho - se já nao existem licenciados de 5, passa a procurar-se licenciados de 3. Simples. E não me parece que as empresas da Suíça, França, Inglaterra e Alemanha tenham caído no abismo. O que já nao se pode dizer das portuguesas.
O facto de ter emergido um mar de licenciados não ajuda, há boas e más universidade. Há que distingui-las.
Há pessoas que tiram licenciaturas ao domingo, outras num ano e nem estão assim muito mal na vida.
Mas eu nao nasci com o rabinho virado para a lua e se quero ter uma vida confortavel mais tarde tenho de queimar as minhas pestanas. E como eu, milhares. O que é que acontece? Vemos portas a fecharem-se sucessivamente, as condiçoes de emprego a degradar-se e mesmo com licenciatura não há meio de conseguir alguma independência financeira. Algo que se consegue servindo as mesas noutro país qualquer aqui vizinho.

Enfim. A minha teoria continua a ser a mesma, Portugal é o exemplo da Lei de Gresham aplicada as pessoas. Eventualmente as más expulsam as boas e Portugal vai afundar-se no seu próprio lodo.

Era só um desabafo. Obrigada.

domingo, 24 de junho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Para efeitos de validação: http://www.correio24horas.com.br/blogs/blog-do-marrom/?p=15578 A dançarina e transexual, Gil Lima, se lança em carreira-solo Saudações!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cousas e Coijas


Estava eu nas minhas divagações pelo Público e encontrei esta musica que já não ouvia faz algum tempo, fica aqui para registo.. e já agora, que tamos numa de música deixo aqui uma também, por seu turno, portuguesa que vale a pena consumir q.b.



Para finalizar deixo a minha frase dos exames e em jeito de paralelismo para tudo também pois é uma metáfora fabulosa, "não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera"

terça-feira, 5 de junho de 2012

Paul Krugman


‎" expensive education, and then, there are no jobs. That damage we're inflicting on the next generation by not having jobs for them, which is the result of disregarded austerity, that is the great sin. "

"We are not a household, we are an economy. Your spending is my income, and your income is my spending. "

é de mim ou isto fez sentido ?



sábado, 2 de junho de 2012

Motivação

(Este foi o mail que mandei para a federação portuguesa de futebol, com sorte pode ser que não vá parar directamente ao spam)

"Boa noite,

Embora seja um momento de algum pesar dada a derrota que pode desmotivar a equipa penso que é o momento de lhes mostrar o valor que têm e aquilo que já alcançaram. Nesta medida lembrei-me especialmente de um jogador que numa situação flagrante não teve a confiança suficiente para marcar um golo que seria de grande importância. Este vídeo penso que lhe ia demonstrar o quão perfeito em certos momentos se pode ser:




(como este muitos mais momentos de todos os jogadores podiam ser enunciados)

façam desta campanha memorável para todos nós, e desse momento o mais perfeito da história do nosso futebol, pois, vós, tem o potencial para mostrarem a toda a Europa que somos muito mais que um rectângulo à beira mar em crise!

Força Portugal, acreditem, trabalho e empenho, à conquista da Europa!

Votos de boa sorte,

Miguel Alegria"

domingo, 27 de maio de 2012

Loving Fantasy

image by darkbutterfly6 (deviantART)

Volto de novo à escrita porque, para algumas pessoas, seria bom um pouco daquele tempo de reflexão que se tem durante o duche, tal como aquele que eu tive e que me fez pensar no que irei falar aqui. E perguntam vocês, caros leitores, "Onde é que é a escrita de um gajo (sendo ele apenas dono do seu pensamento e do de mais ninguém) vai servir aos demais pensadores do duche?". A reposta é clara, e penso que muitos a compreenderão. Simplesmente parece que as palavras dos outros (contrariamente àquelas que nós repetimos para nós próprios) chegam melhor ao sentimento daquele que, nessas palavras, se apercebe que não estamos tão sós no nosso sofrimento e nas nossas conclusões, porque a verdade é que todos sofremos e todos reflectimos sobre esse sofrimento. Por isso, para essas essas pessoas, e para mim, escreverei hoje... Novamente para dar mais um contributo para a reflexão a todos por quem tenho apreço e aqueles que, no meio de tanto paleio, por acaso, encontrem algo que estariam à procura.


Em todos os recentes eventos não-rotineiros da minha vida que têm passado tenho visto, discutido, lido e sentido o peso das nossa imaginação e de como ela comanda as nossa maneira de sentir e como influencia as nossas escolhas! Curiosamente, isto é um assunto que já há muito faz parte dos meus pensamentos, mas, depois da minha última sessão de reflexão ao som da água do chuveiro, arranjei a motivação para falar sobre ele.

Tudo começou quando na minha aula de Processos de Intervenção no Sistema Sexual e Conjugal a docente diz que é da maior estupidez que se fale no desejo como tendo uma origem biológica ou física (quer estejamos a falar de desejo sexual ou desejo emocional), pois ele é psicológico de uma forma quase absoluta. Caros leitores, não podia concordar mais com esta afirmação.

Para mim, o processo de nos apaixonarmos, simplificando bastante a sua complexidade, deve-se, sobretudo, a duas coisas: oportunidade e fantasia. Por oportunidade, entenda-se, por exemplo, encontrarmos alguém com quem podemos partilhar interesses, intimidade, bons momentos e, no fundo felicidade! E, convenhamos, não é com toda a gente que podemos ter tudo isso! Não nos apaixonamos por toda e qualquer pessoa! Têm que estar presentes os ingredientes que criem o interesse e, na maioria das vezes, um feedback que nos deixem motivados a continuar a ficar interessados. Ora, quando se cria a oportunidade, quando encontramos alguém de quem podemos esperar toda essa felicidade, entra a fantasia! Aliás, reparem na palavra que utilizei - esperar! Somos humanos, caros leitores, e por isso somos dotados da capacidade de nos posicionar um paço à frente daquilo que está a acontecer e naturalmente criamos expectativas sobre o que vamos poder viver e o quão vamos poder ser felizes com essa outra pessoa. Para mim felicidade é isso mesmo! É ter sempre uma fonte de momentos felizes ao nosso dispor ou, neste caso,  ter alguém com quem saibamos que amanhã podemos continuar a ser felizes! E quando falo em fantasia, refiro-me apenas ao acto de fantasiar e criar expectativas, nunca no sentido de criar ilusões estúpidas na nossa cabeça! Longe disso! Adiante... Apesar de não ser uma ilusão, sempre que pensamos no como podemos ser felizes e nos vários cenários em que isso se concretizará, normalmente só imaginamos o momento de felicidade em si, nunca o processo! Vejam isto quase numa na onda de filmes da Disney de "Happily ever after"! Isso não é necessariamente bom ou mau, como explicarei mais abaixo, mas, de facto, a rotina e as palavras que ficam nas entrelinhas desses momentos nunca fazem parte desses cenários porque, lá está, não é por isso que nos apaixona-mos!

O que quero dizer com isto é que nós não nos apaixona-mos pela pessoa somente, mas sim pelo que ela nos pode oferecer no que toca a felicidade e pelo o quão certa será a presença dessa felicidade a qualquer momento! Atenção que falo apenas no apaixonar, não no amar! São coisas diferentes. Para ser sincero, eu nunca fui um crente no amor à primeira vista... Acho que há pessoas com quem podemos partilhar coisas novas e emocionalmente excitantes e isso é um bilhete para que a nossa fantasia trabalhe na construção de uma expectativa de um futuro cheio de sorrisos e daquela sensação incrível de quentinho no peito! Assim nasce a paixão, o estar numa situação completamente nova onde tudo está em aberto e onde não há nada que nos diga que vai correr mal! Muito pelo contrário, temos sempre lá o bichinho da felicidade a pôr-nos numa espécie de êxtase brutal! Nestes momentos é mesmo óbvio o porquê de, dentro de nós, acharmos que nos espera um futuro próximo daquele que sempre sonhamos! Como também é claro o porquê de querermos estar sempre com a outra pessoa...querer ser feliz é a cena mais básica do ser humano e toda a gente trabalha para isso à sua maneira.
Nós somos facilmente deslumbrados pelo sentimento e entendo que seja fácil confundir paixão com amor. Parece que somos que somos um recipiente demasiado pequeno para tanto sentimento e isso não é algo que sinta ao ir ao supermercado, a correr numa praia, a jogar um jogo de uma consola ou a ter um momento super incrível com um amigo/a.
Amor é o que sobra quando a paixão morre, quando nos apercebemos que conseguimos ser felizes mesmo sem esse êxtase, quando a coisa que mais nos faz feliz é fazer outra pessoa feliz, quando olhamos para a outra pessoa e nos agarramos ao melhor que ela tem... os defeitos são só ornamentos que, de vez  em quando, causam atrito e conduzem ao "fazer as pazes". E a maioria de vós sabe que essas alturas são sempre seguidas de momentos brutais, em que nos apercebemos que realmente gostamos e gostam de nós! Amor demora o seu tempo, mas existe e é bem mais genuíno que paixão.

Bem, fugi um pouco da temática! xD Mas voltando assunto principal! Agora que penso estar esclarecido que falo somente do apaixonar, acho que a maior parte de vós, caros leitores, concordará comigo quando digo que nos apaixonamos muito devido ao facto de nos sentirmos felizes e de, inconscientemente pensar que amanhã o vamos continuar a ser. Essa felicidade faz a cama para que a fantasia torne a nossa opinião sobre a outra pessoa muito simplista. A verdade é que só vivendo e vendo as nossas próprias reacções e as dos outros é que vamos realmente saber o que esperar. Por isso a maior parte das relações não funciona, porque, até um certo ponto, é normal desmotivar quando não recebemos o que esperamos! E nós estamos, constantemente a analisar e avaliar como as coisas estão a ir e, à medida que as nossas expectativas não vão sendo cumpridas, escala-se a ao ponto em que a nossa expectativa sobre o amanhã entra em desacordo com o que nós realmente queremos! Infelizmente o sentimento e a emoção são coisas que vivem no presente e têm memória muito curta e, quando sentimentos bons ou maus surgem muito próximos, é completamente normal que os levemos demasiado em conta.

Mas não pensem que a minha opinião sobre fantasia é negativa, muito pelo contrário! Como disse noutro post, a expectativa e a fantasia são grandes motivadores e grande fonte de criatividade. Ora, se não esperasse-mos ser felizes, acho que seria muito difícil querer investir tempo, corpo e alma numa coisa como uma relação, não acham? E, ao criarmos cenários perfeitos na nossa fantasia, arranjamos formas mesmo dinâmicas e criativas de viver uma vida a dois! Para nosso mal, e para nosso bem, o facto de aos relações serem protagonizadas por duas cabeças pensantes torna tudo imprevisível. Mas, apesar de às vezes ficarmos extremamente frustrados pelo facto de a outra pessoa não seguir o guião que temos na cabeça, é assim que também nasce a genuinidade e a espontaneidade que, a meu ver, valem bem mais do que algo que esperávamos.

No entanto, é verdade que a fantasia e a expectativa podem tornar tudo confuso, especialmente quando não as podemos concretizar! Quando temos um livro escrito com pensamentos inacabados e com perguntas responder, vamo-nos sempre agarrar à angustia de o querer acabar! E acredito profundamente que essa angústia nos faz prender com as mais fortes correntes à pessoa sobre quem o livro fala! E isso perdurará especialmente enquanto deixarmos o livro aberto para que possamos sempre olhar para ele e ver o que não vivemos e o que queríamos mesmo, mesmo, mesmo viver! No meio disto, espero que a angústia não nos limite a uma só rua, porque há muita rua para se explorar e cada uma com o seu brilho especial! E eu sei o quão difícil é largar o que nos é familiar e pelo qual já temos grande sentimento. Já temos algo construído, não é apenas uma rua de asfalto! Temos casas e jardins e um cenário bem mais real do que quando começamos algo! E todos esses pormenores da rua são feitos a partir de memórias e dos pequenos momentos que em nós ficam bem marcados. E ao longo que o tempo passa, quando a saudade nos fizer olhar para esses momentos, vai ser ser aí que lhes vamos dar o real valor e é aí que vamos perceber o impacto que esses momentos tiveram em nós. E se esses momentos forem parte de um livro por acabar de escrever, a expectativa vai entrar em cena e vai remoer-nos porque ela continua a dizer-nos que esses pequenos momentos podiam continuar a existir... Mas agora, neste momento, não existem... e dói... dói muito... Dói não saber o que fazer para os ter de volta... Dói sentir que esses momentos passeiam por outras ruas... Dói saber que não podemos acabar a rua, porque isso é sempre um trabalho a dois! Novamente, felizmente, e infelizmente, não controlamos vontades para além da nossa. E espero também que ninguém desanime por não conseguir fechar o livro ao trocar de rua. Sei bem como isso é, mas sei perfeitamente que é uma questão de oportunidade (lá está) e perseverança para que se mude de uma lágrima para um sorriso parvinho na cara! Até lá temos que aguentar... até que o vento sopre a nosso favor!

Estes foram os 2 minutos de reflexão de chuveiro que tive, muito muito resumidos entenda-se! Também tudo que nos passa pela cabeça não somente é em forma de palavras, mas sobretudo na forma de sentimentos. E eles fazem-se ouvir melhor xD!
O minha conclusão no meio disto é simples! Saibam usar e compreendam o que se cria na nossa cabeça, sem se desculparem por isso e sem se magoarem por isso! Vamos sempre que carregar isso às costas porque para saber o que escolher temos que saber o que queremos... e o que queremos está no futuro, não no presente, nem no passado que já foi! No passado agarrêmo-nos às aprendizagens, no presente agarrêmo-nos às oportunidades e concretizemos a expectativa de como queremos estar no futuro.
Eu ainda não sei, mas não deve ser suposto ser assim tão difícil estar com alguém de quem nós gostamos e que gosta de nós. Já se diz por aí "When there's a will there's a way!". Por isso, se for assim tão difícil, das duas, uma, ou não gostam de nós ou então somos uma segunda escolha. Nisto ou esquecemos ou lutamos para ser a primeira escolha, até o conseguirmos ou até a fantasia não ser suficiente para suportar o facto de nada acontecer e, aí, nos cansemos de lutar. Nesse momento vamos ter mesmo que ter coragem para fechar o livro e deixa-lo lá na estante, caso contrário ou acabamos por sofrer excessivamente e, com sorte, acabar por ter uma grande história de amor, ou então vamos simplesmente sofrer o tormento de estar sozinho, sem dar espaço para novas estórias!

No final do banho as escolhas ficam claras e só peço aos demais que se identifiquem com tudo isto que o façam também (reflectir no banho, entenda-se)! Não queiram ser a segunda escolha! Sigam o vosso coração e vão até onde poderem ir! Se, quando chorarem, deixarem de sentir que vale a pena, já sabem que têm que trocar de rua, ou pelo menos não se fechar à oportunidade!
Tentando insistindo escrever no livro que já está aberto ou começando um novo, lutemos sempre para ser a primeira escolha... porque aí é que estaremos prontos para partilhar e ser verdadeiramente felizes, porque só assim é que estaremos perto de tornar real a fantasia...

Não deixem de sonhar, mas vivam para sempre o poderem concretizar!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Capitães de Abril



Incontornavelmente, e muito embora possam ser alegados vários argumentos quanto ao estado da nossa democracia convém fazer uma homenagem e prestar o nosso agradecimento, quanto mais não seja a relembrar, a quem teve iniciativa e deu a vida pela liberdade num contexto que teve muito de sorte e de coragem. Fica o grande filme Capitães de Abril, a 1ª longa metragem de Maria de Medeiros para quem quiser, ser livre de o ver!

domingo, 8 de abril de 2012

Ás vezes tem de ser...




Ás vezes tem de ser. Contra todas as nossa vontades, no fim, ostentamos com orgulho e nostalgia aquilo que realmente nos faz mover.

sábado, 7 de abril de 2012