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P.S. (PreScriptum): Este post era para ter sido postado em Fevereiro e era destinado a um certo número de pessoas... passado 5 meses espero que elas não consigam saber que é para elas... é sinal que já têm uma visão diferente das coisas!
A propósito de consequências, este post vai ser todo ele dedicado às acções resultantes daquilo que melhor podemos controlar - as escolhas. Este post já era para ter sido escrito há muito tempo, mas pronto, agora também não será uma má altura... pelo menos nunca deveria de o ser!
Ultimamente vejo passar histórias sobre pessoas, sonhos, paixões, sorrisos e olhares suspirantes e tenho, de forma recorrente, reforçado a ideia de que todas elas parecem convergir ou assemelhar-se nos aspectos primais que condicionam o seu bom desenrolar, isto assumindo que um bom desenrolar tratar-se-á não mais do que a maximização de uma satisfação geral e respectiva a cada história. Quase toda a gente já sentiu, de uma forma mais entranhante, o peso da responsabilidade de agir e conduzir a nossa própria vida, porque convenhamos, nós só vivemos uma vez e só temos uma oportunidade para agir num determinado momento e num determinado contexto e a noção probabilística que nos vai na cabeça de como as coisas podem correr, a meu ver, consegue ser bastante assustadora. É um tiro no escuro, e um tiro no escuro pode ser demasiado pesado para alguém que vive uma vez e não tem o privilégio temporal de poder "guardar o jogo" antes de agir para que, caso algo corra mal, possa recomeçar desse ponto. É, portanto, 110% compreensível a falta de coragem da maioria das pessoas, no que toca a agir de acordo com o que mais querem ver realizado a certo momento, porque não se anda para trás ao não se sair do sítio. Quando tomamos uma decisão e agimos com base nisso, estamos sempre a jogar com a hipótese de andar mais ou menos para trás ou para a frente, e se nos tornamos momentânea ou eternamente realizados com um "breakthru" caracterizado pelo andar em frente, o inverso também se observa quando nem tudo corre como deveria de ter corrido. Como cada um de nós deposita expectativas, esperanças, auto-conceito, etc, numa acção, muitas vezes parece que a perda é significativamente mais pesada que um ganho e isto é um dos grandes travões à nossa felicidade, especialmente para os que já perderam demasiado. O mais grizante nisto tudo é que quando se ganha parece que somos inundados pela certeza de que afinal valeu a pena arriscar e que perder não é assim tão mau, mas mesmo assim continuamos a ter medo de perder passado o êxtase da vitória. Somos todos uns hipócritas de memória estupidamente limitada, já dizia o lado racional da coisa. Infelizmente (neste caso) e felizmente (em muitos outros) o humano é um ser emocional... a faceta racional é meramente uma ferramenta que nos permite achar a melhor resposta para sermos emocionalmente mais realizados. E, por mais racional que alguém possa ser, nunca nos vamos convencer do que é logicamente mais certo quando o coração discursa no outro sentido... Ele sim, é o que detém a última palavra, amordaçando toda a razão que, no final, age somente para ele... E convença-mo-nos, a razão mais primordial para viver, pela qual toda a gente se rege, se bem que cada um à sua maneira, revolve em torno do sentir-mo-nos bem! É por isso que somos da maneira que somos, agimos como nós agimos... porque é assim que, na sua derradeira forma, aprendemos a nos auto-preservar, isto é, a sentir bem ou, pelo menos, a não nos sentirmos mal... dependendo do quão optimistas somos face às probabilidades da vida... Já houve pessoas que me disseram que estava a ser reducionista, porque a verdade é que as pessoas arrependem-se de algumas decisões que tomaram, pois acabaram por agir e, no fim de contas, não se sentiram bem... Ora, como já referi, o mundo não anda por uma só via... há sempre a possibilidade de algo não correr da maneira que esperávamos... Nós não controlamos as consequências, só controlamos as decisões e se calhar, por isso, é que é mais fácil não arriscar! Mas, no fundo, agimos sempre com um objectivo que, no meio de tanta pluralidade causal, tem em comum esse princípio hedonista ao qual muitas vezes fechamos os olhos para nunca mais sofrer... E eu pessoalmente, não acredito que exista felicidade vivendo no escuro...
Para todas as pessoas às quais me dirijo com todo este paleio, quero mesmo que fique esta mensagem... Sonhem, mas que isso não fique preso num desejo, corram atrás desses sonhos! Vivam, mas vivam para sorrir com muito mais e não apenas para esconder as lágrimas! Corram, saltem, toquem, abracem, apaixonem-se, esqueçam e apaixonem-se de novo, relembrem, contem, provem, ouçam, vejam, sintam e deixem sentir, aprendam, pensem, riam-se, rebolem, passeiem, o que quiserem, mas não se esqueçam que a vida não são só os minutos seguintes... são os muitos anos que ainda demoram a passar... anos que só se vivem uma vez! E num mundo com as suas próprias regras imutáveis de física e meta-física, nada se resolve com conformismo, resolve-se com adaptação positiva, compreensão e alguma aceitação... No final, a realidade dita as regras, mas não nos devemos esquecer que a nossa realidade é feita de sorte e escolhas e que, por isso, nós também temos controlo... porque escolhas somos nós que as fazemos e não o mundo, por mais que a sorte brinque com os desfechos...

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