image by MultiCurious (deviantART)
É incrível como, num dia potencialmente igual aos outros, pode acabar de forma tão espectacular! E tudo começou com um simples "Vai um digestivo?"... What up? ...
Já se perguntaram de onde vem a saudade? O que está mais profundamente subjacente ou, como agora costumo dizer, qual é a sua essência? ...
Num post anterior falei de como a saudade podia tornar qualquer memória "para além do esquecimento"! Em termos simples, e usando a matemática para explicar, imaginemos que o valor 0 equivale ao acontecimento de que agora temos saudade! Esse 0 corresponde, de forma muito simples, à junção de momentos bons (+1), de momentos maus (-1) e de momentos neutros(0)! Se juntar-mos todos os momentos que vivemos nessa altura temos (+1)+(-1)+0=0, ou seja, saldo neutro que significa que naquele instante não é algo que tenha um impacto assim tão grande! Novamente, relembro que isto não é para ser lido e dessa maneira percebido! Falo apenas por metáforas para que toda a gente possa subjectivamente entender apenas a essência, lá está! A fórmula do "para além do esquecimento" será então ((+1)+(-1xt)+0), sendo t uma variável que representa o tempo que, à medida que passa, vai tendendo para 0. Dessa forma, com o passar do tempo o resultado será ((+1)+(-1x0)+0 (=) (+1)+0+0=+1)... No final o que fica sempre é esse +1, as memórias dos bons momentos! Os momentos neutros são, por norma, insignificantes e por isso percebe-se que sejam naturalmente descartados e os momentos maus só servem para aprender algo novo! Depois de aprendido não é preciso estar sempre a surgir no nosso pensamento... ninguém gosta de reviver coisas más! No máximo só as coisas menos boas! E, apesar de provavelmente alguns desses maus momentos nunca desaparecerem completamente, os bons momentos prevalecem sobre os maus e então nasce a saudade! Claro que a fórmula não diz respeito a todos os acontecimentos, só aos mais rotineiros, porque há maus acontecimentos que equivalem a valores bem mais negativos que -1 e, por isso, demoram muito mais tempo a passar de um saldo negativo para neutro ou positivo! E há ainda aqueles que tem tanto saldo positivo que baralham completamente a fórmula e se transformam num resultado negativo... Falo daqueles momentos que nos dão um sentimento tão bom que vivemos aditos a ele e sofremos por não o ter onde, como e quando o queremos! Mas no final, caso não sejamos constantemente bombardeados com maus momentos, tudo passa com o tempo, tudo tenderá para > ou, na maioria destes casos, = a 0! É tudo uma questão de procurar de procurar oportunidade, caso contrario não teremos o (+1) que tão bem encaixa na fórmula supra-referida! Mas também é preciso muita coragem para enfrentar a incerteza... bem já me estou a desviar demasiado do tópico!
Por esta razão (e muitas outras) e para ser franco, digo-vos que, para mim, saudade é um sentimento fascinante! Fascina-me, true story! Fascina-me tanto pela sua complexidade na quantidade de formas que se pode criar e em todas as restantes variáveis que lhe podem dizer respeito que são imensas, não estivesse por de trás de tudo a natureza humana, que é das coisas mais complexas nesta fracção do universo que nos é permitida pensar sobre! Para além disso as saudades não se fazem apenas para momentos e objectos, fazem-se também para momentos e pessoas! Óbvio será dizer que quando se mete relações interpessoais ao barulho, as cenas tornam-se ainda mais complexas!
Fascina-me, também, a sua simplicidade global que corresponde, igualmente, à faceta mais simples da natureza humana... Está sempre subjacente algo que nos faz sentir bem! E, a partir daí, cada um sente, entende, vive (etc) a saudade de maneira diferente!
A saudade é um sentimento que assenta, portanto, em algo que nos fez e ,da mesma forma, nos poderá voltar a fazer sentir bem. Esse sentir bem nasce da nossa relação com algo, neste caso, de pessoas e objectos, objectos que podem assumir uma forma material ou metafísica, apesar de este último ser muito raro porque um objecto metafísico como, por exemplo, o pensamento, é, por norma, propriedade nossa e está disponível para ser acedido incondicionalmente. Dentro de cada um dos actores com quem contracenamos temos a saudade de pessoas/objectos ou de momentos específicos com pessoas/objectos que, no fundo, conduzirá à primeira forma de saudade que referi nesta frase. A razão que melhor se parece encaixar é que se cria um saber subliminar automático de que os momentos são fruto exclusivamente da pessoa/objecto. Naturalmente, é óbvio que a probabilidade de momentos igualmente bons (ou melhores ainda) acontecerem com essas/pessoas é enorme, no entanto este tipo de associação não pressupõe a complexidade circunstancial e subjectiva. Whatever, mesmo assim parece-me correcto distinguir ambos.
Adiante... Com objectos a relação é muito menos intensa do que com pessoas, querendo deixar implícito que o mais comum é termos mais saudades de pessoas do que objectos! Caso se verifique o contrário, e sem querer ser julgador (apesar de o estar a ser), tenho mesmo muita pena de quem vive nessa realidade!
A saudade entre pessoas, ou outro qualquer ser vivo, tem uma particularidade que lhe dá toda uma dimensão mais gratificante - a reciprocidade e o feedback. O quão bom é saber que partilhamos algo? O quão bom é ter-mos rituais ou algo que seja impreterivelmente exclusivo entre um eu e um tu? O quão bom é saber que amamos e somos amados de volta? Não há hipótese... Digam o disserem, não há nada que nos dê tantas razões para ter saudade! Saber que somos importantes para alguém ao ponto de se sentirem tristes por não nos terem por parte é mesmo uma sensação bizarramente fenomenal(tendo em conta a parte sádica, mas inocente) !
Por isso mesmo, a saudade entre pessoas é algo que, por envolver tamanha faceta emocional, pode doer, especialmente no que toca ao seu processo. Este é um raro caso em que o início e o fim da história se evidenciam como a melhor parte. Quando nos afastamos de alguém importante apercebe-mo-nos claramente da falta que esse alguém nos faz e se, em contra-partida (e à partida), essa pessoa dá um feedback que mostre que sente o mesmo, não é preciso fórmula nenhuma para saber que isso nos vai deixar felizes no meio da infelicidade de ver alguém ficar ou partir! Isto, caros leitores, tem como consequência uma coisa mesmo mesmo brutal - o fortalecimento de laços. É uma das formas mais genuínas, sinceras e originais de sentirmos, descobrirmos e, talvez, exprimirmos a nossos verdadeiros pensamentos e sentimentos por essa outra pessoa. Aliás, todo o momento que mete genuinidade ao barulho é susceptível de ser vítima da saudade! Se calhar é por isso que se tem muitas vezes grandes histórias aquando em momentos ébrios! Bottom line, é uma cena tão incrível que pode levar um pessoa a dizer "odeio ter saudades tuas" com o maior sorriso no coração!
Temos, para além da despedida, o reencontro. Este sim é, para mim, a melhor parte da saudade! Finalmente após N tempo, posso matar essa concubina que é a saudade. Todos os dias que nos sentimos sós por não ter aquela coisa que só o outro faz e que nos faz sentir tão bem, todos os dias que sentimos que nos foram roubados grandes momentos com alguém, todos os dias que pensamos "Será que estás a pensar em mim? Será que te faço falta?", toda essa angústia desmorona-se nesse instante, nesse reencontro! É indescritível a felicidade, adoro mesmo! Apesar disso, confesso... o processo, o tempo que se espera custa mesmo, mesmo muito... Mas é como se diz: "no pain, no gain"!
A propósito disso, faço minhas as palavras sábias que outrora me disseram... O problema começa quando olhamos mais para o que perdemos do que para o que ganhamos... F. Scott Fitzgerald disse uma vez "Quem inventou a consciência cometeu um grande pecado". O que eu concluo disto é que o Mr. Fitzgerald não conhece ou não é do Yes!. "So what" se temos que viver presos ao facto de temos que enfrentar as duras realidades? "So what" se temos que viver na ânsia de poder ter sempre um dia mau? "So what" que não sejamos perfeitos por natureza e que, para mal geral, todo o Homem se magoe quando cai? "So what" se temos uma consciência que nos diz que tudo isto tem que fazer parte da nossa vida? Onde é que fica a felicidade, no meio disto? Onde ficam as gargalhadas, os abraços, os beijos, os momentos épicos, a alegria, a diversão? Onde ficam os momentos de que temos saudade?... Há que apreciar o melhor da vida e só se pode fazer isso olhando para o que se ganha! Caso contrário passamos o tempo todo a fugir!... Fujam enquanto eu desfruto do facto de poder dizer a sorrir "Life is so shitty, but ain't it fucking great?"... (mental note: fazer um post sobre o Yes!)
E foi com isto que no final desse dia, a cada gole daquele Offley Tawny, esse grande pedaço de casa, e enquanto ouvia o murmurar de viúvas vestidas de branco, filhas de uma célebre laranja, senti de uma forma mesmo clara as saudades que tenho de casa! Nunca tinha sentido assim as saudades! Eram tão concretas... quase que tinham corpo! É muito difícil de explicar! Apercebi-me que me lembrava de todos os pormenores mais característicos de certas pessoas e não consegui parar de sorrir quando os via a passar na minha cabeça! Senti um vazio... Com todos eles, até com aqueles que diziam respeito a pessoas que pensei que pouco me diziam! Mas porquê? Por que é que esses pormenores me fazem sentir tão bem? Por que é que tenho saudades deles? A verdade é que ainda não compreendo bem a essência (lá está) disso, mas eles fazem-me sentir em casa! São todos esses pormenores e todas essas pessoas que completam a minha vida e me fazem gritar bem alto um grande YES!. Adoro mesmo gostar de pessoas!
Naquele momento de puro êxtase mental de felicidade e de Yes! puro, quis mesmo demonstrar a toda a gente o quão importante eram para mim e o quão grato estou por toda a gente existir!... Não pude... tenho cerca de 2000 e tal quilómetros a impedir-me! Mas para aqueles que duvidam, acreditem, penso em vocês todos os dias e tenho saudades de todos! Obviamente de maneiras diferentes, por razões diferentes e com intensidades diferentes, mas não abria mão de nenhuma dessas saudades! Para os que a minha ausência custa mais só posso dizer uma coisa! Don't worry! Quando voltar reconstruímos essas ruínas!
Vi por aí num sítio qualquer que casa é sítio onde estão pensar em nós! É uma expressão bastante linear, mas, não obstante, é uma boa metáfora! Por isso não deixem de pensar em mim e guardem um lugar para mim aí em casa! Cresçam, mas não mudem! Eu não vou mudar... 1 mês e 1 semana e 1 dia depois não mudei... vou continuar a pensar em vocês, porque é sempre com vocês que me sinto em casa!
Vai ser altamente ver-vos de novo e matar as saudades! E nós sabemos que matar é a melhor parte das saudades! Right? Yeah!

Sem comentários:
Enviar um comentário